quarta-feira, 16 de março de 2016

Shadow of Sadness Deixando sonhos de lado


Formada há 15 anos, mais especificamente em janeiro de 2001, a Shadow of Sadness iniciou como uma banda de garagem. Algumas trocas de membros e um bocado de anos depois a banda lança o seu segundo disco de inéditas: “...---...” (SOS em Código Morse). Seguindo aquela linha Melodic Death Metal (pena não ter conhecido antes, pois com certeza a listinha das 5 bandas brasileiras para conhecer o subgênero ia ser maior) bem característica, apesar de não se ater muito a rótulos a banda, que hoje é formada por Christian Avon (guitarra e vocal), Rafael Schirrmann (guitarra), Daniel Iahn (baixo) e Thiago Diniz (bateria), segue divulgando seu segundo trabalho.

HMAN: A banda foi formada em 2001 e mesmo com as trocas de membros, 15 anos depois, continuam na ativa. O que move a Shadow of Sadness?

Christian Avon: Atualmente é a amizade, além daquela vontade de tocar música pesada e extravasar, que só quem gosta sabe como realmente é. Depois de uma década e meia muitos sonhos foram deixados de lado. Continuamos no nosso caminho sem muito alarde, mas sendo fiéis àquilo que gostamos. A amizade e respeito entre os membros é o que nos mantém na ativa e com vontade de continuar.


HMAN: De uma banda de amigos, nasceram dois registros, “Way to Hell” de 2004 e o mais recente “...---...”. Tem como comparar esses dois lançamentos? Como você definiria a sonoridade inicial da banda? 
Christian: Way to Hell é mais cru em relação ao SOS. Não que sejamos experts, mas na época que lançamos o primeiro álbum éramos inexperientes em relação a quase tudo. As músicas são mais inocentes, apesar de ter ótimos momentos, mas acredito que com o SOS as composições foram trabalhadas com uma harmonia melhor. Naturalmente, um é a evolução do outro. Sem aquele, não haveria este.

HMAN: “Way to Hell” foi lançado em 2004, há quase 12 anos. Qual a importância deste disco para a Shadow of Sadness? O que ele representa para a banda?
Christian: Para nós é icônico, pois se trata de nosso primeiro registro. Sempre será. Foi a primeira experiência real com estúdio, produção, a manufatura de um álbum. Aprendemos muito com ele. Representa um marco em nossa história, pois tudo foi feito por nós, sem influência externa no resultado final. Claro que nos utilizamos de profissionais para o resultado, mas tudo partiu de ideais nossos. Infelizmente não pudemos dar uma sequência num curto espaço de tempo, vários fatores são a causa disto, mas o hiato entre os discos nos deu oportunidade de amadurecer como banda.

HMAN: Como funciona o processo de composição dentro da banda? Existe um padrão a ser seguido? Como foi compor e gravar “SOS”?
Christian: Normalmente as músicas partem de riffs de guitarra. A ideia é sempre buscar algo que soe bem aos ouvidos, que cative e que seja lembrado. A partir dai, depois de várias ideias reunidas, tentamos dar forma à música, colocando outros instrumentos. Escrevemos a música e aprendemos a tocá-la como um conjunto. A última parte a ser feita são as letras e o encaixe delas dentro do som. Gravar “...---...” foi relativamente mais fácil do que o Way to Hell. Tínhamos um baterista e um baixista mais experientes, o que facilita o processo. Em termos de guitarras também, pois optamos por algo mais orgânico neste álbum, sem muitas dobras, o que se repercute nas apresentações ao vivo, onde a música tocada não perde em relação à gravada, no quesito de preenchimento sonoro. O único revés foi na gravação do vocal, que demorou demasiadamente para acontecer, por fatores familiares, de trabalho e também, porque não, por falta de inspiração para finalizar as letras.


HMAN: Vocês lançaram pelo menos três vídeo clipes, só do ultimo disco. Como vocês veem esse formato? É mais consumido? Qual a finalidade? 

Christian: Para o primeiro álbum nenhum vídeo foi feito. Para este, imaginamos que devemos fazer um vídeo para cada música. Por enquanto temos três. Para março ou abril já teremos o quarto. Nossos vídeos têm apenas uma regra: custo zero. Se nós pudermos fazê-lo da melhor forma, sem gastar nada, ele será viável. Senão, não. Vemos o formato como uma propaganda para a música. É um destaque que se dá àquela canção. O apreciador está tendo mais um sentido estimulado (visão) para chamar a sua atenção para aquela música especificamente. E isto pode levar ele a querer conhecer o resto. Foi assim que funcionou comigo quando tinha 15 anos e vi o clipe de “The Unforgiven” pela primeira vez. Foi aquela mágica entre a música e o vídeo que transmitiu uma sensação que fez meu mundo se modificar. Ainda hoje, volta e meia, revivo aquela sensação revendo o vídeo. Se é o mais consumido? Talvez não tanto como a música em si, da qual você pode desfrutar sem ter a atenção voltada para a coisa, mas sem dúvida é uma ferramenta incrivelmente poderosa. E a finalidade é prender a atenção para o produto que você quer vender. Dá resultado.



HMAN: A banda pretende fazer uma mini tour, ou algo assim para divulgar o mais recente lançamento? Uma tour pela Europa seria viável?
Christian: Gostaríamos imensamente dispor de tempo para uma mini tour ou tour por onde quer que fosse, mas para nós é inviável por fatores diversos. O principal é o financeiro. Ralamos diariamente para poder ter a possibilidade de inclusive ensaiar para manter a banda no nível que desejamos. E nenhum de nós tem disponibilidade de investir nisso, sendo uma banda pouco conhecida, pois é praticamente impossível entrar numa turnê e querer ter o retorno com todos os gastos possíveis. Passa a ser uma questão de investimento real da coisa. Vejo muitas bandas que vão para a Europa fazer a turnê e ela acaba sendo apenas uma parte da aventura. Faz-se turismo, amizades, e o retorno acaba não sendo só para a banda, mas para o indivíduo também, então o cara gasta com prazer suas economias ali. Nós, além de estarmos presos aos empregos, temos família para criar. Eu tenho três filhos. Se eu disser para minha esposa que vou ficar um mês fora, tocando na Europa, usando o dinheiro que ganhei trabalhando, buscando angariar fãs e experiência para a banda, ganho um pé na bunda ali mesmo. E minha família é mais importante que a banda. Então temos que ter o pé no chão e encarar nossa realidade, tocando onde não nos prejudique no dia a dia. Claro que sonhamos em poder fazer turnês e o tocar por aí diariamente, mas esta é uma realidade para poucos mortais. Nossa chance ou já passou ou nunca existiu realmente.

HMAN: 2015 foi um ano movimentado para o underground nacional. Essa crise politica e econômica deve dar uma estagnada na cena? O que você acha?
Christian: Positivamente os shows e festivais continuam acontecendo. O que vejo é que o público as vezes está reduzido. Algum fatores, como o preço do ingresso, são decisivos para que a cena se movimente ou não. Particularmente tenho que ponderar se devo ir a um show ou garantir a comida na mesa, e diversas pessoas passam por isso, ao menos os que têm mais idade. Quem é mais jovem e não tem tanta conta para pagar consegue ter mais comparecimento aos shows. Mas aí depende do tipo de ouvinte que é. Vejo a internet como um divisor de águas, mas ao mesmo tempo criou a comodidade da pessoa ver o mundo através do computador. Formas de entretenimento já foram devassadas pela internet, vide lojas de cds, locadoras de vídeo, e um pouco se reflete na cena viva dos shows. Então, predominantemente o fator econômico é relevante, mas não é o único responsável pelo que acontece nos shows.

HMAN: Em 2016 a banda completa 15 anos de atividades. Vocês vão preparar algo para comemorar essa ocasião? Tem alguma novidade a caminho?
Christian: A princípio não. O ano começou agora para nós. Em março foi a primeira vez que nos reunimos desde o início do ano. Moramos distantes uns dos outros, por isso temos que esquematizar bem os encontros. Seguimos com a divulgação do álbum, pretendemos torná-lo físico e continuar com a produção de nossos clipes. Se algo irá surgir, só o tempo dirá.

HMAN: Deixo um espaço para as suas considerações finais.
Christian: Agradecemos o espaço fornecido para que contemos um pouco de nossa história. Sempre vi entrevistas como um portal entre a música e o músico, uma forma de ver o que existe dentro da cabeça daquela pessoa que toca a música que te interessa. Então é gratificante mostrar através deste portal o nosso modo de pensar. Esperamos sempre que ajude no interesse por conhecer nosso trabalho. 



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por Artur Azeredo

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