quarta-feira, 30 de março de 2016

Primator Somando influências

Com seis anos de estrada e apostando em uma sonoridade tradicional, mas moderna, o Primator lançou em 2015 o seu primeiro disco de inéditas, “Involution”. Atualmente formada por Rodrigo Sinopoli (vocal), Márcio Dassié (guitarra), Diego Lima (guitarra), André dos Anjos (baixo) e Lucas Assunção (bateria), o Primator se consolida como um dos nomes da nova safra do Heavy Metal brasileiro.
HMAN:Como se deu a formação do Primator? E quando decidiram que era o momento ideal para gravar o debute?
Rodrigo Sinopoli: A banda surgiu em 2009 com a proposta de fazer heavy metal autoral. Eu e o Márcio já éramos amigos e sempre compartilhamos do mesmo gosto musical. Após uma rodada generosa de cerveja, decidimos formar uma banda aos moldes do que ouvíamos na adolescência, algo mais tradicional do que se é feito na atualidade, principalmente no Brasil. A ideia e o conceito do “Involution” surgiu após a gravação de nosso autointitulado EP de 2012, que continha cinco faixas que abordam de forma mais subliminar a degradação da humanidade. Daí em diante, fizemos as outras cinco que compõem o álbum de uma maneira mais incisiva e direta.
Márcio Dassié: Nessa generosa rodada de cerveja que o Rodrigo mencionou também tinha muita comida alemã! (risos) Na época a intenção era montar uma banda como um hobby, não havia intenção de compor uma música, quiçá um álbum inteiro! Nosso hobby passou a ser um compromisso semanal de ensaios em vários estúdios da capital, formando a base da banda. Cinco faixas estiveram no EP, “Primator”, “DeadLand”, “Erase The Rainbow”, “Praying for Nothing” e “Let Me Live Again”. Também em 2012 resolvemos participar de um festival de bandas independentes no Blackmore. Naquele momento, não sabíamos o alcance e a receptividade de nossas músicas perante o público. Participamos da final do Ideia Rock Fest e ficamos em terceiro lugar, melhor colocação entre as bandas de metal. A partir deste festival passamos a acreditar que possuíamos musicas interessantes e que deveríamos gravar o debute, completando-o com “Flames of Hades”, “Caroline”, “Black Tormentor”, “Face the Death” e “Involution”.

HMAN: Algumas faixas que compõem “Involution” foram compostas há mais de cinco anos, outras faziam parte do Ep lançado em 2012. Apesar da diferença de tempo a banda seguiu um padrão na hora de compor? Como funciona esse processo dentro do Primator?
Rodrigo: De 2009 a 2012, o foco era finalizarmos as composições, embora já notasse uma semelhança entre as temáticas adotadas nas letras de forma totalmente involuntária, diga-se de passagem, ainda não havia caído a ficha para o tema da involução. Após a gravação do EP, no mesmo ano de 2012, busquei mais referências que ajudassem a criar um conceito para o álbum oficial e estabelecesse relação direta com o que já havia sido feito até então. A partir daí, pude sincronizar melhor as ideias e chegar ao tema final para o álbum, tratando o mesmo assunto em contextos e ângulos diferentes. Na ocasião, funcionou desta forma. O que tem se mostrado um pouco diferente hoje, com a entrada do Lucas na banda e sua participação direta no processo criativo.
Márcio: Na verdade o Primator não possui um padrão pré-determinado de composição. O som da banda representa a soma das diferentes influências dos seus integrantes e a ampla liberdade de composição que possuímos, ou seja, não somos presos a estilos e rótulos. O processo de criação geralmente se inicia com melodia vocal e/ou letra do Rodrigo Sinopoli, na maior parte das vezes eu crio os riffs e as bases da música que após é dilapidada pela banda toda até chegarmos a um democrático arranjo final. Digo isso porque nem sempre uma determinada passagem ou intro é unânime, mas faz parte (risos).

HMAN: A capa de “Involution” foi desenvolvida pelo vocalista da banda, Rodrigo Sinopoli, baseado no conceito do disco. Você tem ou já teve experiência com arte gráfica? O que levou você a desenvolver este trabalho? 
Rodrigo: Na realidade, sou designer por formação e é meu principal trabalho há mais de 10 anos. A ideia de fazer a capa veio de vários princípios. Um deles foi o de eliminar gastos e deixar a coisa com a cara que desejamos, sem precisar expor sua ideia para terceiros que estão mais interessados em finalizar o trabalho do que com a qualidade do mesmo. Outro fator, certamente, foi o de fugir da mesmice digital e dos famigerados bancos de imagens que a maioria dos artistas usa.

HMAN: Em “Involution” o Primator trás uma sonoridade tradicional, mas com uma roupagem moderna, vigorosa e cheia de energia. Como chegaram a essa sonoridade ou como decidiram que essa era a cara do Primator?
Rodrigo: Foi um processo totalmente natural. Acreditamos que existem muitas outras sonoridades calcadas no mesmo estilo que se encaixariam no som da Primator e é exatamente isso que buscamos, inclusive para os próximos trabalhos.
Márcio: A sonoridade do Primator não foi planejada! Todos os integrantes gostam de metal, cada um “puxando” mais para a vertente que mais gosta. Assim, desse verdadeiro mix de influências chegamos a sonoridade do Primator, cujo marca registrada são os riffs e refrãos fortes.

HMAN: Em agosto a banda liberou um vídeo para a faixa “Black Tormentor”. Esse tipo de produção trás mais visibilidade para a banda, vocês pretendem continuar investindo em produções áudio visuais? 
Rodrigo: Com certeza! Inclusive existe um lançamento quentinho saindo do forno e vocês poderão assisti-lo muito em breve.
Márcio: O lançamento que o Rodrigo se refere é o de uma música inédita que figurará no nosso próximo álbum, chamada “To Mars”, música composta pelo grande Mário Linhares, do Dark Avenger. Creio que muitos irão gostar.

HMAN: Vocês já trabalham em novas composições, para um futuro lançamento? O que podem nos adiantar?
Rodrigo: Estamos trabalhando em novo material e já temos duas faixas que farão parte do próximo álbum prontas. O tema e conceito também já estão fechados e contamos com a produção de Mario Linhares. Posso adiantar que será algo mais rápido e forte que o “Involution”.
Márcio: Este ano de 2016 será dedicado a composição do segundo álbum que promete um pouco mais denso e mais pesado. 

HMAN: Qual a sua avaliação de 2015, em se tratando de Heavy Metal Nacional? E do Primator, qual o saldo de 2015?
Rodrigo: Foi um ano muito positivo. Conseguimos fazer o lançamento na data que almejávamos e o show do mesmo foi incrível. A mídia especializada aprovou o trabalho e de uma forma geral fomos muito reconhecidos. Definitivamente, nos sentimos um pouco maiores após 2015.
Márcio: O ano de 2015 foi um ano bom, mas torço para que 2016 seja ainda melhor. O metal nacional precisa de mais espaço e mais respeito por parte dos produtores e também por parte do público headbanger. Temos muitas bandas nacionais boas! Posso citar o Hevilan, King of Bones, Fates Prophecy, Rexor, Heaviest, entre tantas outras!

HMAN: O que podemos esperar do Primator para 2016? Deixo um espaço para fazer suas considerações finais!
Rodrigo: Com relação a 2016, estamos inteiramente focados na composição do próximo álbum e fazemos isso sem pressa e sem data oficial definida. A prioridade é sem dúvidas a qualidade do material que lançaremos. Deixo um recado aos fãs para que não deixem de presenciar aos shows da Primator em 2016, pois a cada música nova que for fechada, tocaremos ao vivo sem aviso prévio (risos). Agradeço pela oportunidade da entrevista. Foi um prazer falar com o Heavy Metal All Night. Muito obrigado pelo apoio e espero nos vermos em breve!
Márcio: Agradecemos a entrevista e parabéns pelas perguntas! Esperamos que todos recebam do “Involution” a mensagem que pretendemos passar e busquem por coisas novas, apoiem a cena local e nacional e compareçam aos shows, pois só assim conseguiremos garantir o futuro do heavy metal no Brasil. Mais uma vez, agradecemos à todos os que nos incentivam e nos querem bem! Tenham a certeza de que ainda ouvirão falar muito do Primator! Grande abraço à todos!



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por Artur Azeredo

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