quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Rafael Tavares o universo paralelo das capas de discos


O que seria de um encarte, ou do conjunto da obra se não tivesse alguém para fazer essa ligação, do visual, imagético com o som, a sonoridade. Talvez a obra, quanto conjunto, perdesse um pouco do seu sentido, ou não? O inegável é que o Brasil tem alguns dos melhores profissionais do ramo das artes gráficas para capas e encartes. Já conversamos com o Marcos Miller, e seguindo o mesmo intuito de mostrar o trabalho desses caras, trago aqui uma breve entrevista com o Rafael Tavares, profissional bem ativo no underground.
Crushing Axe - Undead Warrior
HMAN: Há quanto tempo você trabalha com essa parte gráfica dos discos? Como você começou a desenhar?

Rafael Tavares: Eu gosto de desenhar desde moleque, sempre vivi rabiscando tudo o que podia. O lance de bandas… eu já trabalhava antes em uma produtora de artes como ilustrador, e sempre fui também envolvido com música pesada. Por volta de 2005 eu mostrei alguns trabalhos pessoais para o pessoal de uma distro no ABC paulista e isso acabou chegando nos caras do Ophiolatry, que me chamaram pra fazer a capa de um split com o Abhorrence. O trampo teve um feedback bacana pois na época era pouco comum capas com ilustrações exclusivas, a maioria era feita a partir de montagens de fotos, então chamou bem a atenção. E a partir disso começou a rolar mais convites pra fazer outros trabalhos.

HMAN: Por que você escolheu trabalhar especificamente com capas de discos? Ou você tem outros projetos?
Rafael: Eu gosto muito de explorar visualmente essas temáticas de horror, gore, decadência, criaturas de outras dimensões etc. Na musica extrema eu tenho bastante liberdade de transitar por esses caminhos. Mas vez ou outra também participo de outros projetos, também faço ilustrações para livros, quadrinhos, etc. De uns meses para cá também comecei a tatuar e estou em um estúdio no centro de SP, o Blood Line Tattoo, é uma brisa bem diferente, está sendo uma experiência foda!!


Lusferus - Desolation's Theme

HMAN: Qual a sua principal inspiração na hora de trabalhar? Você costuma ouvir as faixas do disco que está trabalhando, ou a banda solicita determinada arte?
Rafael: Nem sempre, na maioria das vezes eu tenho já umas playlists que ouço enquanto estou trabalhando. Eu sempre checo algum material da banda que estou em foco no momento para me direcionar melhor, mas normalmente faço isso antes de começar a trabalhar.

HMAN: Quanto tempo você leva para finalizar uma arte? Costuma trabalhar em mais de uma ao mesmo tempo?
Rafael: Depende muito. Normalmente a parte mais complicada para mim é o layout inicial, onde procuro desenvolver a idéia e passo um bom tempo fazendo pesquisas, procurando referências, fazendo esboços até definir a composição e os elementos que vão integrar a peça. A partir daí é sentar e desenhar, daí passo para o computador e finalizo por lá. É difícil estipular com precisão o tempo que levo para o processo todo, mas por questão de agenda, eu separo um período de uns 10 dias pra me dedicar exclusivamente a cada peça, gosto de mexer na arte sem correria, então tem algumas que saem mais rápido, outras são um pouco mais difíceis… mas tento me manter nessa janela para não correr o risco de entregar algo feito sem esmero.

HMAN: Tem alguma arte que te deu muito trabalho? Ou alguma em especial que você gostou de fazer, ou que você mesmo se surpreendeu com o resultado final?
Rafael: Teve uma para uma banda chamada Sodoma (que ainda não foi publicado). Era um conceito bem específico, e foi um grande desafio, mais para desenvolver a idéia do que a execução em si, mas gostei muito do resultado final!

Ocultan - Shadows from Beyond
HMAN: Sempre existem os chatos, mas você já teve problemas com bandas solicitarem determinada arte e o resultado final não agradar a banda ou você já teve que refazer algum trabalho?
Rafael: De não agradar nunca aconteceu, mas já rolou de precisar refazer algumas coisas pois o cliente queria algo muito específico, ou mudou de idéia no meio do caminho. Hoje em dia eu evito pegar trabalhos assim. Digo… eu prefiro que o o cliente chegue e fale “olha, eu gostaria de algo relacionado e mortos vivos e motosserras, eu gosto de tal referencia, tal filme, gosto dessa arte aqui, etc” ao invés de dizer “eu quero que você faça um esqueleto, em pé segurando uma motosserra”… entende o que eu quero dizer? Eu gosto de poder ter liberdade para desenvolver uma idéia ou um conceito e deixar fluir, aplicar meu repertório e criar sem me prender muito. Essa é a melhor forma de chegar em um resultado final bacana.

HMAN: Não poderia deixar de perguntar, tem alguma banda ainda que você queira trabalhar? Alguma banda que você queira fazer a arte da capa, que seria a realização de um sonho?
Rafael: Tem um monte! Hahaha… mas aqui no Brasil eu acho que talvez o Krisiun seja uma banda que eu sempre tive muita vontade de fazer algum trampo.

HMAN: Se alguma banda tiver interesse no seu trabalho como deve proceder? Deixo aqui também um espaço para você fazer suas considerações finais!
Rafael: Pode me procurar na minha página do facebook! Lá eu atualizo com certa freqüência e respondo todas as mensagens. Agradeço pela força!! Um grande abraço!


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por Artur Azeredo

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