quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Sodamned como o vinho


Desde 1999 na estrada os catarinenses do Sodamned acabam de lançar seu segundo disco de inéditas. “Songs for All and None” saiu por intermédio de oito selos/distro. Conversamos com a banda sobre o lançamento e atual momento.

HMAN: A formação do Sodamned data de 1999 são mais de 15 anos de estrada. Como você avalia essa jornada pelo underground?
Juliano: Grosso modo, gostaria de ter feito, pelo menos, o triplo de shows do que a gente fez, mas Brasil é isso aí, falta muita estrutura e público ainda para que tenhamos uma demanda constante por shows de bandas autorais de metal. Fora isso, sou plenamente satisfeito e orgulhoso de todos os nossos 5 lançamentos oficiais, temos uma tour na europa, duas pelo NE do país e duas passagens por MG nas costas, fora todos os shows em SC, RS e PR, foram lugares que conheci e grandes amizades feitas na estrada, e isso é o maior presente que o Sodamned trouxe pra minha vida.

HMAN:  “Songs for all and none” é o segundo trabalho de inéditas da banda, como você vê esse registro? E como ele tem repercutido?
Juliano: Por ser o primeiro lançamento onde, de fato, eu sentei e compus todas as músicas (excetuando-se a 'Dynamite', lançada um ano antes em um EP) em uma paulada só, eu vejo esse lançamento como um trabalho mais conciso e maduro. Explorei bastante o trabalho das duas guitarras, dei uma brincada maior com as vozes, estou bem satisfeito com ele. Lançamos esse CD no dia 01 de Agosto e até agora o pouco feedback que tivemos dele tem sido bem positivo. Ainda não fizemos nenhum show desde o lançamento e nem mandamos promos pra mídia ainda, mas no geral, quem já ouviu tem elogiado bastante e mencionado a grande diferença entre o songs... e o primeiro full length lançado em 2011.
Gilson: Acredito que esse lançamento mostra esse “amadurecimento” da banda, tanto nas composições quanto em nossa técnica como músicos, e ao mesmo tempo mostra que possuímos um estilo consolidado em nossa forma de fazer Death Metal. Você não perceberá mudança no estilo da banda, estamos fazendo o mesmo tipo de música, só que com uma estrutura mais elaborada.

HMAN: O Sodamned preza por um lado mais filosófico em suas letras e segue uma linha entre o Black e o Death Metal. Como funciona o processo de composição, quem é o principal letrista?
Juliano: O Gilson  (batera), eu componho todas as músicas e ele cuida das letras. Gravo tudo aqui em casa, geralmente já as duas guitarras, e mando os arquivos pro resto da banda ouvir, praticar e colocarem sua parte. Geralmente eu já tenho as linhas de bateria na cabeça, e levo essas ideias pro Gilson, que sempre acaba criando coisas em cima.
Gilson: Acabei compondo as letras até hoje, e o que busco desde o início é não escrever algo já mastigado pra galera consumir. Prefiro fazer com que as pessoas pensem, mesmo que às vezes isso signifique levar a composição pelo caminho inverso do que pensei. E para o último álbum busquei uma estrutura mais musical para as letras, com rimas, alguns refrões e tal. Pretendo aprimorar isso para o futuro.

HMAN: Para a divulgação de “Songs for all and none” a banda disponibilizou um lyric vídeo, para a faixa “Oração à Virgem”. Primeira composição em português da banda, como surgiu a ideia de compor em português? O que vocês acharam do resultado? Podemos esperar mais composições em português?
Juliano: A Oração... é uma letra escrita desde 1999, acho, e a gente sempre quis usar ela, sem traduzir, e agora foi a hora. A primeira avaliação é que eu esperava MUITO MAIS do público metal, em se tratando de interpretação de texto, pois muita gente veio perguntar se havíamos virado white metal, ou "que merda era aquela". A letra não tá na cara, o mote é sutil, mas eu não esperava que seria tão difícil da galera entender. Por um lado, isso acabou ajudando a divulgar a lyric. Com certeza teremos mais músicas em português, realmente eu gostei bastante do resultado.
Gilson: O resultado está sendo por um lado interessante, pois falando bem ou mal, as pessoas acabam espalhando nosso trabalho aos poucos. Mas tem esse outro lado de ter deixado evidente o analfabetismo funcional que existe em nosso país. E infelizmente o público metal não foge desta triste realidade.
Em relação a compor em português, o que eu escrevia até uns anos atrás era direto na nossa língua e acabávamos traduzindo para o inglês depois. Esta letra é de mais de uma década atrás mesmo, e por falta de oportunidade nunca foi usada. Comecei a escrever direto em inglês somente a partir do EP Dynamite.

HMAN: Em 2011 a banda lançou “The Loneliest Loneliness” primeiro disco de inéditas. O que ele significa para o Sodamned?
Juliano: É um marco, por vários motivos. Além de ser nosso primeiro full, lançado depois de 12 anos de banda, a receptividade foi absurda. Saímos em várias listas de 'melhores do ano', muitos reviews e muitas entrevistas pra várias revistas e zines. Os lançamentos anteriores haviam sido elogiados e tudo mais, mas nem se compara com o boom que foi esse primeiro álbum, a gente, sem falsa modéstia, realmente se surpreendeu com o feedback, podemos dizer que ele colocou a gente no mapa do metal nacional.

HMAN: Existe ou não uma renovação na cena? Existem sim bandas novas surgindo e com lançamentos de qualidade, mas geralmente os membros já tem estrada no underground.Como você avalia esse atual momento do underground?
Juliano: Às vezes eu penso que a música ao vivo tá caminhando pro fim, pois a cena tá complicada em termos de público, tenho a impressão de ver cada vez menos gente nos shows (pelo menos nos de bandas underground). E, ao mesmo tempo, tem bandas excelentes por aí, fazendo trabalhos ótimos, ou seja, em termos de artistas, nossa cena não deve nada pra nenhuma outra no planeta, mas carecemos de público, muito mais público para apoiar e prestigiar o trabalho das bandas.
Gilson: Eu vejo uma renovação na cena sim, algumas bandas com veteranos e outras com novatos na cena, algumas boas e várias nem tanto (pra mim). Mas de qualquer forma não é por falta de bandas, músicos e lançamentos que nossa cena padece. E nem sei de quem é exatamente a culpa, ou se há algum culpado. Talvez haja uma série de fatores, um ciclo vicioso, que simplesmente impedem que a cena no país mantenha uma boa frequência de shows e público ao longo dos anos.

HMAN: Quais os planos do Sodamned para o restante de 2015, vocês já tem datas agendadas para 2016? Tem planos de uma tour de divulgação pelo Brasil?
Juliano: Tínhamos 4 shows pra esse ano apenas, dos quais 3 foram cancelados, então a única apresentação que temos por hora é aqui em SC mesmo, na cidade de Laguna. Estou trabalhando no booking de alguns shows pelo NE e MG novamente, mas como não somos, necessariamente, uma banda tão conhecida, apesar de já termos andado por lá várias vezes, não é tão fácil de fechar, mas com bastante trabalho eu creio que em 2016 a gente tenha uma agenda mais movimentada do que neste ano que está acabando. América do Sul e Europa fazem parte dos planos também.

HMAN: Deixo aqui um espaço para as suas considerações finais!
Juliano: Cara, obrigado demais por ter cedido esse espaço pra gente falar do nosso trabalho. Aos bangers que estão lendo essa entrevista, fica o apelo de deixarem um pouco a preguiça de lado e comparecer mais aos shows e dar apoio às bandas de menor porte, vocês são  parte importantíssima da cena, e sem a presença de vocês, ela morre.



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Por Artur Azeredo

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