quarta-feira, 3 de junho de 2015

D.A.M De uma monografia a banda levada a sério



Formada em 2013 os mineiros do D.A.M, banda de Melodic Death Metal, já acumulam lançamentos. Sendo o mais recente “The Awakening”, que saiu em 2014 de forma independente. O trabalho trás uma sonoridade ainda pouco explorada por bandas brasileiras, mas que aos poucos vem ganhando espaço.


HMAN: A banda surgiu em 2013, vocês não perderam tempo e no mesmo ano disponibilizaram um disco. Como foi esse processo da formação do D.A.M? E do lançamento logo em seguida?

Guilherme de Alvarenga: Na verdade a banda surgiu pelo lançamento do Ep e não o contrário! Quando me graduei na faculdade de música escrevi uma monografia intitulada “Técnicas Composicionais da Música Erudita Aplicadas à estética do Heavy Metal” que era justamente a análise do EP Possessed que foi composto em 2009. Minha intenção inicial era ter o D.A.M como um projeto e mostrar as técnicas composicionais que eu pesquisava. O apoio e sucesso foi tão grande que foi inevitável não tornar o D.A.M uma banda real com a ideia de fazer shows e tudo o mais, a galera curtiu bastante!


HMAN: Em termos de sonoridade a banda apresenta um Melodic Death Metal, explorando mais as melodias e passagens sinfônicas. Por que o Melodic Death Metal?

Guilherme: Melodic Death Metal é apenas um rótulo, não me prendo à ele quando vou compor! Parte das influências que tenho são bandas do estilo e como utilizo muitas melodias para compor e utilizo do vocal gutural somos encaixados nesse sub-gênero de maneira natural, alguns inclusive costumam nos chamar de Melodic Death/Power Metal, não penso muito nisso, gosto de fazer a música que gosto e tenho na minha cabeça independente de como será chamada!


HMAN: “The Awakening” Saiu em 2014, e teve uma boa repercussão, como vocês avaliam esse trabalho? O que esse disco representa para o D.A.M?


Guilherme:  Eu acho ele muito técnico e muito diversificado, tivemos de fato uma boa repercussão no mundo todo e isso deixa a todos muito felizes e surpresos com os elogios! Ele representa um momento de transição para o D.A.M pelo contexto da estória da Trilogia em que ele está inserido, é um disco que está tendo bastante sucesso e estamos realmente muito felizes.


HMAN: Como foi compor “The Awakening”, como funciona esse processo dentro da banda?

Guilherme: Eu utilizo as técnicas que citei anteriormente pois elas permitem um desenvolvimento temático mais elaborado e uma conexão consistente o que para uma Trilogia conceitual é essencial! Por esse motivo sou responsável por compor todas as músicas e todos os instrumentos no D.A.M, onde após terminada a composição meus amigos de banda estudam as músicas e as gravam. No The Awakening especificamente pude conectar bastante material do Possessed nele e desenvolver melhor pequenas estruturas que haviam sido citadas nos trabalhos anteriores! Em termos de textura pude explorar alguns recursos orquestrais  e ambientações como nas transições de uma música para outra de uma forma nova para mim! 

HMAN: O primeiro registro do D.A.M é o EP “Possessed”, lançado em 2013, passado quase dois anos deste lançamento. Como você avalia esse trabalho hoje? 

Guilherme: Eu gosto muito do Possessed  e sempre vou gostar porque foi o pontapé inicial. As músicas são muito boas e divertidas de ouvir e tecnicamente possuem recursos composicionais extremamente elaborados que planejo explicar no futuro! Entretanto era o começo das minhas pesquisas, eu estava em busca da minha identidade composicional ainda, você percebe algo que é essencialmente D.A.M nele e encontra isso nos outros lançamentos, mas a influência de outras bandas era forte demais ainda!Fiquei muito tempo sem cantar então não curto tanto as linhas vocais dele, se tivesse esperado um pouco e praticado mais teria conseguido um resultado melhor, mas no fim das contas foi melhor ter lançado pois pude ir me aprimorando nos outros álbuns!


HMAN: Como você ve o atual momento do Heavy Metal no Brasil?

Guilherme de Alvarenga
ilherme: Muitas bandas boas preocupadas em fazer um trabalho de qualidade têm surgido, bandas que se preocupam em melhorar como músicos não só o nível técnico mas todo o preparo profissional que o palco exige, entretanto o país não possui essa cultura forte do Heavy metal e acho difícil ele ser popularizado. Metal é uma ideologia para muitos e um modo de se viver a vida mas é também uma ramificação do setor musical! Existe uma indústria por trás dos espetáculos e ela precisa sobreviver! O dono da casa de shows não terá seu aluguel pago só porque ele escuta Iron Maiden, o produtor de eventos não vai pagar a escola da filha dele só porque é fã do estilo, o músico não terá comida na mesa apenas por gravar um cd, todas essas pessoas precisam trabalhar bastante para garantir o seu sustento como qualquer outra pessoa. E aí surgem alguns problemas: Com um público menor acaba circulando menos dinheiro se tornando inviável para produtores realizarem eventos e para  músicos viverem disso o que os leva a realizarem outras coisas muitas vezes deixando esse sonho de lado. Em contrapartida bandas de fora adoram fazer shows no Brasil, pois costumam ter público, eles ganham dinheiro e os produtores de show também tornando viável esse tipo de evento. o que nos leva a refletir sobre que tipo de evento o fã de heavy metal gosta de ir aqui no Brasil, se existe uma divulgação adequada por parte das bandas se as bandas fazem parcerias entre si para realizar eventos e o divulgar! Digo isso pois lá nos Estados Unidos, por exemplo, é comum uma banda realizar turnês e fechar parcerias com bandas de cada cidade que irão passar para participarem do show como bandas de apoio. Acho essa terminologia sensacional e deveríamos a utilizar ao invés do famoso banda de abertura, pois a banda de apoio está lá para ajudar a levar público para tornar viável a apresentação da banda principal, falta essa visão de camaradagem, parece que todo mundo quer apenas aparecer e acha que se o amiguinho conseguir algo vai tirar o dele. Enfim, o Metal no Brasil sempre vai existir pois sempre vai ter alguém pra curtir e alguém querendo tocar, mas tornar isso uma atividade profissional com rentabilidade viável é uma outra estória, precisamos mudar nossa mentalidade antes de qualquer coisa!


HMAN: No Brasil o Melodic Death ainda é visto com algum preconceito. Como você ve o subgênero no Brasil? Tem espaço?

Guilherme: Preconceito? Não sabia disso(risos), as bandas de death metal melódico conhecem os trabalhos uns dos outros e gostamos muito do que o outro faz! Tenho grande admiração pelo trabalho dos meus parceiros de estilo, o Kataphero por exemplo é uma banda que tem conseguido crescer bastante também, possuo amizade com bandas muito foda como o Spreading Hate e o Zilla. Nos eventos que tocamos somos sempre muito bem recebidos, em geral faz uma massa na frente do palco e o povo fica de boca aberta vendo a gente tocar, é engraçado a gente esperando o povo descer o cacete e todo mundo prestando atenção na gente tocar! Acho que a figura do virtuose é rara aqui no Brasil ainda e acabamos conseguindo nos destacar por isso! Espaço sempre há para quem corre atrás, e acho que pode ser uma vantagem o fato de termos poucas bandas, pois chama atenção não é mesmo? Algo atípico feito aqui, a galera que não conhece o estilo fica se perguntando o que é aquilo e se interessa e acaba virando fã do estilo! Nos damos muito bem com os fãs de Power Metal, eles gostam do toque de música clássica e do virtuosismo dos instrumentos!


HMAN: Quais os planos para o futuro do D.A.M? Sai uma tour de divulgação do “The Awakening”?

Guilherme: Estamos realizando alguns shows e gravando o EP “Premonitions...”, existem planos sim, mas temos muita coisa para resolver em termos de logística ainda!


HMAN: Deixo aqui um espaço para fazer algumas considerações finais!


Guilherme: Gostaria de agradecer o espaço pela entrevista e pela ótima resenha feita pelo Heavy Metal all night do nosso álbum The Awakening. Agradecer também aos nossos fãs que são muito foda nos apoiando sempre! Gostaria de convidar os leitores do blog a conhecerem nosso clipe e nossa fan Page no Facebook! Grande abraço a todos!


Links Relacianados
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por Artur Azeredo

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