quinta-feira, 21 de maio de 2015

Uganga "não é hobby de fim de semana"

Formada em 1993 pode se dizer que o Uganga é uma daquelas sobreviventes. Vinte anos de estrada, quatro discos lançados, e um dos representantes mais efetivos do Brasil quando o assunto é Thrashcore. Em 2014 a banda lançou “Opressor” registro que colocou a banda em foco novamente.

HMAN: Vinte anos de estrada, quatro discos lançados, um disco ao vivo gravado na Europa. O que representa o Uganga hoje pra vocês?

Manu ”Joker” Henriques: Falando por mim, representa grande parte de quem eu sou nessa existência. Tenho raízes fincadas na música e na cena rock de maneira geral desde a infância, e o Uganga é a síntese disso tudo. Um lugar para extravasar e aprender. (risos) Creio que pros meus irmãos de banda também é algo muito sério e  com bastante influência  em suas vidas.  Não vejo como poderia ser diferente, essa banda não é hobby de fim de semana.

HMAN: Fazendo uma breve analise da estrada e historia do Uganga de 93 até o momento, o que mudou?

Manu “Joker”: De 93 pra cá somos praticamente outra banda. Começamos no hardcore puro, ficamos extremamente experimentais no primeiro álbum (“Atitude Lótus” – 2002), mas a partir do início dos anos 2000 voltamos a fazer o que sabemos:  rock pesado cantado em português banhado no thrash metal, no hardcore e em bandas que fundem estilos como Prong, Biohazard, Motorhead, Faith No More ou Pantera.

HMAN: O Uganga de certa forma ostenta uma marca significativa 10 anos com a mesma formação. Como conseguiram esse feito?

Manu “Joker”: Temos duas duplas de irmãos na banda, eu e Marco, Ras e Christian... Acho que se por um lado o atrito pode vir mais forte, por outro você conhece bem seu irmão e sabe se pode mesmo confiar nele ou não.  Nós quatro solidificamos o nome da banda a partir do segundo álbum (“Na Trilha do Homem de Bem” – 2005), e com a entrada do Thiago em 2007 o núcleo se tornou ainda mais forte. O Uganga antes de tudo é uma família e aprendemos com o tempo a separar atritos pessoais ou o que seja dos compromissos e necessidades da banda.  Recentemente a família aumentou com a vinda do Murcego para terceira guitarra, outro amigo de longa data. Somos um sexteto forte e unido e espero que permaneçamos assim.

HMAN: “Opressor” é o mais recente trabalho da banda, como foi compor esse disco? Como funciona esse processo dentro do Uganga?

Manu “Joker”: Começamos a pré-produção desse álbum no final de 2012, se não me engano. No Uganga todos criam, colaboram com ideias e na maior parte das vezes eu fico por conta de organizá-las e montar os bonecos das músicas junto com o Christian, além de cuidar das letras. Fazemos pastas com o nome de cada um e lá colocamos riffs, vocalizes, letras, vídeos de jams, tudo!  Depois vem o quebra-cabeças e aí damos forma a esses esboços de música com violão, voz e batuque nas pernas, mais roots impossível (risos). Pode ser um pouco frustrante pra quem quer explodir o amplificador no último volume, mas com certeza deixa a música mais concisa e colada (risos). “O Campo” e “Nas Entranhas Do Sol”, por exemplo, começaram assim e depois escrevi as letras em cima do instrumental. Apesar de usual, esse método não é uma regra. “Modus Vivendi” foi escrita a partir do zero com a banda toda numa sala de ensaio e “Opressor” partiu de riffs do Thiago. Outro fator que dá uma assinatura única pro Uganga é nossa cozinha, depois que definimos os arranjos nos ensaios a música vai pra outro nível. O Ras, além de criar riffs bem legais, é um excelente arranjador e raramente toca a mesma coisa que as guitarras e o Marco tem um estilo bem característico e muito diferente do meu enquanto baterista. Como também sou baterista, na parte musical eu sempre penso os arranjos dessa maneira e nossas ideias juntas se completam de forma bem eficaz. O importante é que sem os cinco (Murcego ainda não estava na banda quando gravamos o cd) esse álbum não existiria, é um trabalho feito a dez mãos.

HMAN: Como tem sido a receptividade de “Opressor”, qual o retorno por parte do publico e mídia?

Manu “Joker”: Cara, tem sido muito foda! De verdade! Trabalhamos duro por este álbum e esperávamos que fosse bem assimilado mesmo, mas o resultado tem superado as expectativas com folga. Tanto crítica quanto público tem recebido o “Opressor” de maneira muito positiva e isso só vai nos fazer querer superá-lo no próximo trampo.

HMAN: O Uganga tem algumas características bem próprias em sua musica, as letras em português e a temática reflexiva, trazendo temas cotidianos. A banda sempre buscou explorar isso, é como uma filosofia de vida?

Manu “Joker”: Sim, as letras sempre tiveram essa característica, mas a abordagem muda a cada trabalho. No “Vol. 03: Caos Carma Conceito”, segui uma linha mais filosófica e até pessimista, no “Opressor” deixei os rodeios de lado e fui direto ao ponto. Creio que é um álbum mais crítico, nervoso, porém mais confiante na possibilidade da evolução.

HMAN: Em 2003 o Uganga lançou seu primeiro full-lenght “Atitude Lotus” como vocês vêem esse trabalho, como ele soa hoje pra vocês?

Manu “Joker”: Como disse, é praticamente outra banda com algumas similaridades. Foi composto por uma formação, gravado por outra e logo depois disso mudou tudo de novo (risos). Uma colcha de retalhos e uma banda buscando se encontrar, gosto de algumas coisas e de outras não... Mas não faria nada diferente ou não estaria aqui agora, onde quero estar.

HMAN: Quais os planos do Uganga ainda para 2015?

Manu “Joker”: Vamos tocar muito, queremos ir ao Nordeste e Sul do Brasil pela primeira vez, assim como tocar na América Latina. Estamos com bons contatos para isso e vai rolar! Também vamos fechar a distribuição do “Opressor” em outros países , lançar o DVD de 20 anos e participar de um split do selo Defense Records com o Terrordome da Polônia,  que será lançado na Europa. Também devemos fazer ao menos mais um vídeo pro “Opressor“ e, paralelamente a isso, vamos compondo o próximo álbum.

HMAN: Deixo aqui um espaço para as considerações finais!

Manu “Joker”: Convido a todos para colarem nos shows do Uganga para conferir a banda com três guitarras, está poderoso! Se gostarem, comprem o cd, merchan, etc,  pois isso faz o underground sobreviver! Pax!




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por Artur Azeredo

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