quinta-feira, 19 de março de 2015

Imperious Malevolence Sem perder a essência

Formada em 1995 em Curitiba no Paraná a Imperious Malevolence chega aos 20 anos de estrada. Trazendo em sua discografia quatro full-lenghts, incluindo o mais recente trabalho da banda, “Doomwitness” lançado em 2013.

HMAN: Conte-nos como surgiu a Imperious Malevolence? E qual a maior dificuldade nesses 20 anos de estrada?

Daniel Danmented: A banda surgiu quando o guitarrista Mano deixou o Infernal e se uniu ao Rafahell no baixo/vocal e aos demais integrantes que gravaram a primeira demo em 1995. Pouco tempo depois, entrou o baterista Antonio Death e ele permanece na banda até hoje. O Imperious Malevolence já teve diversas formações, mas sem perder sua essência musical e principais características.

Creio que a maior dificuldade nessa trajetória sempre foi buscar bons shows/turnês e ter o todo o apoio necessário para manter a banda ativa. Mas como nossa maior motivação continua sendo nossa própria satisfação pessoal, encaramos essas dificuldades sem maiores lamentações.

HMAN: Quatro discos lançados e um nome de respeito no underground brasileiro. Como você vê esse caminho percorrido pela Imperious Malevolence?

Daniel: Sempre houve a motivação e o trabalho duro dos próprios integrantes, então tudo foi acontecendo naturalmente. Tudo que a banda conquistou foi graças ao esforço coletivo e basicamente com recursos próprios. Considerando a qualidade musical da banda desde o primeiro lançamento, acho que o reconhecimento dos fãs de metal extremo serve para provar que todo esse esforço não foi em vão.

HMAN: “Imperious Malevolence” é o titulo do primeiro full-lenght da banda, lançado em 1999. Como você avalia esse material?

Daniel: Eu não estava na banda, mas conheço os caras desde essa época. Posso afirmar que a banda estava entrosada, destruidora ao vivo e conhecedora do estilo que sempre tocou. Algumas influências de Morbid Angel e Deicide ficaram bem evidentes, mas sem soar como cópia. Depois de alguns anos esse CD já estava esgotado e ainda tem gente que comenta positivamente sobre esse lançamento.

HMAN: “Doomwitness” foi lançado em 2013. Como foi a repercussão desse material? Como você vê esse disco?

Daniel: É claro que a pegada mudou com o passar dos anos e com diferentes integrantes, mas a qualidade não diminuiu. Imparcialmente falando, eu acho que a banda continua firme em sua proposta e conseguiu fazer um disco tão bom quanto os anteriores. Algumas pessoas podem lamentar que os integrantes originais já se foram, mas não significa que o novo CD seja inferior só por isso, mesmo porque alguns riffs e músicas nesse CD foram compostos ainda com a antiga formação.

HMAN: Como funciona o processo de composição dentro da Imperious Malevolence? Já tem algo encaminhado para futuros lançamentos?

Daniel: Às vezes alguém chega com uma música praticamente pronta, mas pode acontecer de fazermos os riffs e arranjos coletivamente, não há uma regra para isso. A letra geralmente é a última parte a ser encaixada.

Sobre futuros lançamentos, ainda estamos compondo sons novos, vai demorar um pouquinho pra sair um novo álbum.

HMAN: O Imperious Malevolence segue uma linha Old School de se fazer Death Metal, com letras ásperas e criticas contra o cristianismo. Como você vê esse ascensão religiosa que assola o Brasil?

Daniel: Eu não acompanho nada disso, pois eu simplesmente não me importo com religião nenhuma. Eu considero qualquer religião uma perda de tempo, um atraso de vida. As letras da banda sempre foram anticristãs, mas devem ser entendidas como metáforas, não significa que somos satanistas.


HMAN: Com relação ao atual momento do underground brasileiro, comparado com 20 anos atrás, está melhor ou pior? Evoluiu em algum ponto?

Daniel: Atualmente o underground está muito vinculado à internet e à tecnologia de um modo geral. Eu vejo a internet como um mal necessário, ela ajudou o underground em termos de divulgação, acesso rápido aos materiais das bandas de qualquer lugar do mundo e também no intercâmbio e comunicação entre os fãs e entre as bandas. Mas, por outro lado, ajudou a banalizar o metal, tem muito pseudo fã por aí... Vale lembrar que quantidade não é qualidade! Todo mundo agora pode baixar o que quiser e buscar qualquer informação na internet, embora o envolvimento com o metal muitas vezes seja superficial, o que não deixa de ser um paradoxo. Não existe mais o sentimento de conquista, de você ralar pra conseguir um disco, um vídeo, ler uma entrevista, etc. Antes tudo era mais difícil e a gente aprendia a valorizar mais.

Entre as bandas underground, atualmente é mais fácil ter seu material lançado com melhor qualidade sonora e gráfica. É possível marcar shows fora de sua cidade sem depender de interurbanos ou de cartas. Mas ainda temos problemas bem antigos, como pouco público em shows locais, equipamento insuficiente (ou mal regulado) e falta de uma iluminação decente nos shows. Muitas coisas são feitas na base do improviso, em muitos casos ainda se confunde underground com amadorismo, infelizmente.

HMAN: Quais os planos da Imperious Malevolence para 2015? Tem algo encaminhado para comemorar esses 20 anos?

Daniel: Temos planos de lançar um CD comemorativo com material dos lançamentos anteriores e 2 músicas inéditas. Mas agora estamos procurando um baixo/vocal, pois o Alex W.A. saiu da banda em janeiro e só poderemos entrar em estúdio quando a formação estiver completa.

HMAN: Deixo aqui um espaço para as suas considerações finais!

Daniel: Agradeço a você, Artur, pelo espaço concedido pra essa troca de ideias, parabéns pelo trampo!

Agradeço também a todos que apoiam o Imperious Malevolence de alguma maneira, eu queria aproveitar a oportunidade pra divulgar os 2 clipes que fizemos com músicas do novo álbum. Procurem no youtube pelos vídeos oficiais “Doomwitness” e “ Seek for Mephisto”. STAY IN MALEVOLENCE!



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por Artur Azeredo

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