terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Inheritance união e honestidade em prol de um recomeço

Inheritance é uma banda de Power/Progressive Metal, formada em 2013 por músicos experientes, que se uniram em prol do metal. Dessa união nasceu “Better Being Alone”, primeiro registro de Ricardo DeStefano(vocal), Toni Laet(Baixo/ Vocal), Rex Leff(Guitarra) e Daniel de Sá(Bateria).

Conversamos com Ricardo, que nos contou um pouco mais sobre a Inheritance.

HMAN: Como de fato surgiu a Inheritance? Vocês já se conheciam?

Ricardo: A Inheritance surgiu no finalzinho de 2013, logo após o meu desligamento, bem como do Daniel, da nossa ex-banda. Assim que saímos, imediatamente o Daniel me procurou e disse que tinha algumas músicas e alguns esboços e que gostaria de gravar.
A princípio, a nossa ideia era apenas de gravar umas 3 ou 4 músicas, e disponibilizar na internet, como divulgação mesmo, e nem tínhamos a ideia de nos lançarmos como banda novamente.
Assim que gravamos as 3 primeiras faixas dessas 4, é que conversamos e decidimos montar uma banda, pois vimos que tínhamos um bom material e seria um desperdício classifica-lo como projeto.

Vocês como músicos formados e com experiência, decidiram unir forças em prol do Heavy Metal por que? O que a Inheritance representa para vocês?

Ricardo: Na verdade, não vejo a questão assim como “nos unir pelo Metal”. Somos músicos, gostamos de Rock/Heavy Metal, e resolvemos nos unir para registrar um trabalho que acreditamos ser muito honesto da nossa parte.  Acreditamos no nosso trabalho, e acreditamos que temos muito para oferecer para a música e para os fãs que já acompanham o nosso trabalho em outras bandas.
A Inheritance representa esse momento de recomeço e de expectativa. Aprendemos muito em nossos trabalhos anteriores, tanto de mercado como de administração de banda e, atualmente, nós sabemos do nosso valor, do nosso potencial, assim como o nosso público já sabe o que esperar de nós.

A banda surgiu em 2013 vocês não dormiram no ponto e já encaminharam o primeiro lançamento, como fluiu as composições, o entrosamento foi rápido?

Ricardo: Da melhor maneira possível. Pelo fato de fazermos praticamente metade do álbum em dupla, acabou facilitando, já que era mais fácil ter a direção das coisas e, nesse caso, duas cabeças pensariam melhor do que quatro. O disco foi praticamente composto via facebook por mim e pelo Daniel. A gente se comunicava bastante, conversava sobre a direção que as músicas iam tomar, ou mesmo que tipo de música estava faltando pra gente colocar no cd.
A medida que iam rolando essas conversas, definíamos o escopo da música e o Daniel gravava e me mandava para que pudesse fazer as melodias e as letras. Então, quando ia ao estúdio, eu já gravava 2 ou 3 músicas por dia.
Trabalhar anteriormente com o Daniel foi muito bom para a Inheritance, pois ele já sabe qual tipo de música cai bem para a minha voz, e eu já sei que tipo de música esperar vindo dele. Idem ao Toni, que já era amigo nosso pessoal, e já havia trabalhado tanto comigo como com o Daniel. O Rex, como posso dizer, foi a peça chave para fecharmos o time como banda mesmo, e não como projeto. Não queríamos um guitarrista que fosse super virtuoso e doido pra fazer a guitarra fritar, ou mesmo um cara acelerado por sucesso. Queríamos alguém que se encaixasse na realidade da banda! Uma pessoa que soubesse que as coisas poderiam demorar pra acontecer, alguém que pudesse ter a paciência que íamos precisar ter, além de um bom músico. O Rex impressiona pela sua humildade, e ver esse cara tocar deixa de boca aberta! A princípio nós demos o solo da faixa “Essence” pra ele fazer. Quando terminou, tínhamos certeza de que ele iria estar na banda.

Atualmente, ensaiando, todos os 4 tem total liberdade pra opinar, pra sugerir, ou mesmo podar alguma coisa na banda. TODAS as decisões são tomadas na banda como banda, e parece estar funcionando.



O que podemos esperar de “Better Being Alone”, se trata de um trabalho conceitual?

Ricardo: “Better Being Alone” não se trata de um disco totalmente conceitual, mas tem vários ganchos sim! Não narramos nenhuma estória com começo, meio e fim; porém as músicas tem um tema em comum que caiu em quase todas as músicas.
“É Melhor Estar Sozinho” significa exatamente isso! Muitas vezes chegamos à um ponto na vida em que buscamos libertação, seja ela mental, física, espiritual, profissional, sentimental, etc... e aí entra a grande questão: depois de alcançada, o que fazer com essa liberdade? Muitas vezes, o melhor à se fazer, é estar sozinho até que a poeira desapareça.

Como funciona o processo de composição dentro da banda? E como foi gravar “Better Being Alone”, vocês já tinham experiência em estúdio?

Ricardo: Como disse anteriormente, esse foi um álbum especial, porque foi composto basicamente por duas pessoas. Geralmente a estrutura musical foi composta pelo Daniel, e eu entrei com a parte de letras e melodias. Deixamos pra finalizar alguns arranjos juntos no estúdio na folga das gravações de voz.
Para um próximo trabalho, queremos sim trabalhar mais em conjunto! Sei que o Rex compõe músicas também, e que o Toni também escreve letras. Na verdade, para esse primeiro disco, eu até quis que o Rex, depois de efetivado na banda, escrevesse alguma música dele para colocarmos no disco, mas o tempo acabou e a agenda do estúdio acabaram não colaborando.

A internet nos propicia um contato rápido com a cena sem falar no alcance da divulgação, como vocês veem essa ferramenta?

Ricardo: Fundamental!! Divulgação e feedback em real time, em qualquer parte do planeta! Com ela, nós conseguimos pular etapas, ir diretamente ao nosso público, e concentrar nossos esforços nesse nicho que estamos descobrindo e/ou abrindo.

Como vocês veem o atual momento do Heavy Metal brasileiro?

Ricardo: Delicado!!! A coisa realmente não está nada boa!!! Boas e grandes bandas tocando em locais cada vez menores, com menos estrutura e, muitas vezes, em horários mais do que alternativos. Pra mim, isso é um grande sinal de que a nossa importância tem sido cada vez mais diminuída.
Por outro lado, vejo que essa situação mais caótica acabou por fazer as bandas a se unirem mais, junto com produtores/as menores, na tentativa de achar uma luz no fim do túnel. Ainda há muita vaidade, há sim muita competição, mas os músicos sabem que hoje, mais ainda, mesmo que seja de forma pontual, um precisa do outro! Acho isso muito positivo, já que muitas ideias e projetos tem nascido a partir dessa premissa, mas ainda acho muito pouco! E boa parte dessa culpa é nossa!
Sabemos sim que o nosso grande mercado não é o Brasil, é a Europa, mas vejo muita gente que nem lançou o material já dizendo em ir pra Europa! Pra fazer uma tour dessas, é preciso investimento $$$$, e muito planejamento, pessoal e profissional. Está preparado para encarar uma viagem de, sei lá, 18 shows em 14 dias? Consegue conviver com pessoas diferentes, em situações tão adversas, ainda mais trabalhando praticamente fulltime?? Dinheiro?? Tem condições financeiras para ter um plano B caso algum problema apareça? E como é a sua comunicação, o seu Inglês?? Como você vai se virar em um país distante, com outra cultura, outra língua?
Vejo as pessoas muito preocupadas apenas com um possível recurso financeiro, mas que não preenchem todos os demais requisitos. Ai, quando embarcam numa dessas, na volta pra casa, ou a banda acaba por brigas, ou a banda quebra financeiramente.
Não sou contra ir pra Europa, mas é necessário uma boa estrutura e planejamento, e quando falo em estrutura, não digo a conforto e comodidade, e sim estrutura da banda pra suportar uma barra dessas.
Por outro lado, essa busca louca pelo exterior faz com que esqueçamos daqui, e acabamos até meio que negligenciar o nosso público que, bem ou mal, está do nosso lado!
Precisamos, sim, mesmo com todas as dificuldades, dar uma olhada aqui dentro, brigarmos por melhor condição e estrutura, e oferecer o que temos de melhor para quem temos aqui perto. Não dá pra ser conhecido lá fora sem ser conhecido aqui dentro. Uma comparação tosca, “pra ganhar o mundial, tem que ganhar a libertadores!”

Quais os planos já para 2015?

Ricardo: Em primeiro lugar, lançar o disco! A partir de então iremos começar os shows e todo o trabalho de divulgação!
Aprendemos com experiências anteriores, e hoje temos um foco muito maior no planejamento, e deixando a ação para segundo plano, desde que bem executadas! Estamos interessados em construir uma base firme e sólida para a banda, e então podermos levar o que temos de melhor para todo mundo. Queremos brigar por shows, mas por bons shows! Não sou contra tocarmos em qualquer lugar, por qualquer situação, mas achamos que precisamos valorizar o nosso trabalho e o nosso espetáculo. Quando digo valorizar, não me refiro apenas ao $$$$, mas sim ao resultado além disso: parcerias, divulgação, condições e etc.
Enfim, teremos um 2015 de muito trabalho, em estúdio, em escritório e nos palcos, mas buscando o melhor para a banda e para quem está do nosso lado e, principalmente, para o nosso público!

Deixo aqui um espaço para as considerações finais!

Ricardo: Agradeço, do fundo do coração, ao espaço cedido para nós! Estamos muito contentes com o que foi possível fazer, da forma que fizemos, e estamos colocando no mercado um produto que é 100% verdadeiro para nós, e vai soar para o nosso público. Quero agradecer, também, aos nossos amigos e fãs por terem estado do nosso lado, nos incentivando, principalmente nesse momento de recomeço, que é tão cheio de dúvidas, medos e incertezas. Estamos e estaremos juntos durante o próximo ano, e espero contar com o apoio de todos e iremos trabalhar ao máximo para merecer esse apoio e esse voto de confiança!!



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por Artur Azeredo