terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Bandanos mantendo a chama do Crossover



Formada em 2002 os paulistas dos Bandanos são um dos principais representantes do Crossover nacional. Marcelo Papa, um dos fundadores da banda, nos contou um pouco da estrada do Bandanos.

HMAN: Conte-nos como surgiu a banda? E por que essa escolha pelo Crossover?

Marcelo Papa: Eu sou o único da formação “original”, digamos assim. Comecei a banda junto com o Lobinho ( ex- Point Of  No Return), Ruy Fernando ( Ex- no Violence), Franz ( ex- War Inside) e Alessandro Soares(NOALA). Éramos amigos de longa data e em uma conversa virtual no finado MIRC, resolvemos montar a banda, meio  despretensiosamente.  Fizemos os primeiros sons com essa formação. Mas a banda era um projetão de todos. Com o tempo ela foi ficando mais séria e as formações mudaram.  Acho que a mais marcante aconteceu quando nos firmamos como quarteto, com  o Cris assumindo o vocal, depois de ter tentado tocar baixo e o Bucho (Rot/Cruelface) assumiu o baixo. Essa formação durou 5 anos. No fim 2010 o pessoal já estava meio sem pique de fazer shows, resolvemos dar um tempo e voltamos no começo de 2011 com a formação atual, que conta com Cris na voz, eu na guitarra, Lauro no baixo e Helder na batera. Sobre fazer crossover: quando éramos moleques, já havíamos tocado em  bandas nesse estilo. Todos nós éramos muitos vidrados em Suicidal, Excel, DRI e etc. Foi uma questão de tempo pra acharmos as pessoas certas pra fazer esse tipo de som. Na época que começamos, quase ninguém mais estava fazendo crossover por aqui. Com o tempo, acabamos conhecendo outras bandas e ajudando essa cena a ressurgir.

O que era um projeto paralelo virou banda, como vocês veem o atual momento do Bandanos?

Tínhamos outras bandas, outras prioridades. Com o tempo as bandas foram acabando e ficando em segundo plano. O Bandanos começou a funcionar por si só, sem muito esforço da gente. Tudo mudou mesmo em 2005/2006, quando começamos a tocar no meio metal. Conhecemos o Eduardo Arruda, do Beermug, o Marcelo Rat, do Criminal Mosh. Eles começaram a mostrar nosso som pra todo mundo e começamos a ser chamados constantemente pra shows fora do meio Hardcore/Punk e fomos migrando pra cena Metal.. 
Hoje somos considerados dinossauros do crossover. Um bando de veio que ainda acredita nisso e não para de tocar.

Em 2007 o Bandanos lançou “We Crush Your Mind With The Thrash Inside”, como vocês veem esse material?

Muita gente adora esse disco. Nós também gostamos, mas eu acho que tudo foi feito muito rápido.  Talvez hoje eu gastasse mais tempo na gravação e na produção. Por outro lado, essa “inconseqüência” do crossover é algo que vamos levar pra sempre. Somos punks tentando tocar metal. Acho que isso nunca vai mudar.

“Nobody Brings My Coffin Until I Die” foi lançado este ano, como foi o processo de produção e gravação desse disco?

Foi cansativo! Tivemos alguns problemas com o estúdio, que passava por reformas estruturais e técnicas, além de problemas pessoais dos proprietários. Mas sempre acreditamos muito no local que gravamos e resolvemos continuar. Sabíamos que o resultado final seria bom. Gravamos 99% de tudo que lançamos nesse mesmo estúdio,  a sonoridade dos anos 80 você só encontra lá,por isso também fomos em frente. Nossos sons não combinam com nada muito moderno, buscamos timbres e um tipo de produção que só o Ciero e o Da Tribo sabe fazer. Tivemos como assistentes o Spike, do Zero Vision e o André Stuchi, do Imminent Chaos. Ambos ajudaram muito da captação e produção.

Cada integrante tem suas preferencias e suas experiências profissionais distintas, como isso tudo se une, se organiza na sonoridade do Bandanos?

Todos temos nossos trabalhos paralelos. O Bandanos não nos sustenta de forma alguma. As vezes largamos nossos trampos ou fracionamos as férias , para podermos tocar em alguns lugares mais longe. Já perdi as contas de quantas vezes demos cano em nossos trampos, ou chegamos atrasados. Mas quem vive o underground, sabe que é assim! Essa porra é uma válvula de escape e um filtro para nossa vida real que temos durante a semana. Acredito que nos renovamos a cada viagem que temos com a banda nos fins de semana e saber que em breve estaremos tocando de novo, é um fator pra aguentarmos firmes os problemas nesse meio tempo. Esse também é um fator a favor das composições. Temos assuntos de sobra pra relatar nas letras.

A internet por vezes é um facilitador, qual a opinião de vocês sobre esse meio de comunicação?

Nunca nos preocupamos muito se isso atrapalha. Somos uma banda pequena e bem ou mal, onde nós vamos, tem gente cantando as letras e pedindo sons por terem baixado o disco ou escutado por  streaming. Eu também baixo discos, mas sou um consumidor forte. Gasto boa parte do meu salário em lp´s e material independente. Eu não baixo e nem compro coisa pirada de bandas menores, por exemplo, por eu viver esse meio e saber o quanto é foda resistir. Tem muita gente que baixa nossos discos e depois acaba comprando nos shows ou pedindo direto com a gente. Um ponto negativo, é a preguiça que as pessoas ficam com a internet como opção. Deixam de ir aos shows, assistem tudo pelo youtube e depois ainda comentam como se estivessem no local do show mesmo.

Como vocês veem o atual momento do underground brasileiro? Existe um resgate, por parte das bandas, do Thrash Metal e do Crossover oitentista?

Acho que no meio da década passada isso foi mais forte. Sempre vão aparecer bandas nesses estilos, mas nem sempre elas se mantém por muito tempo. Eu gostaria muito que as pessoas insistissem mais, porque a cena precisa de renovação e precisa continuar. Esse ano marcamos quase 60 shows e conhecemos muitas bandas ótimas pelo Brasil todo. Espero voltar daqui um ou dois anos e reencontrar a maioria delas ainda ativas, gravando e produzindo.  Seja em qual cidade a gente vá, sempre vemos alguém com bonés nossos, do DCF, camisas do Violator. A semente tá plantada, espero mesmo que essas pessoas , ou boa parte delas, continuem.

Quais os planos do Bandanos para 2015?

Para 2015, temos em mente a gravação de um EP e tentar voltar a tocar nos lugares mais legais que passamos em 2014. Sabemos exatamente onde voltar, em quem acreditar e o melhor, sabemos também quem são os picaretas e aventureiros que não nos enganam mais!! Por sorte, tivemos poucas decepções nessa tour longa. Não dá pra encher uma mão. Levando em conta que foram quase 60 shows agendados, isso acaba soando como lucro. Ano que vem também é hora de voltar pra Europa e estamos planejando uma tour pelos EUA. Vamos ver o que acontece! Queremos tocar até na Lua!

Deixo aqui um espaço para suas considerações finais!

Muito obrigado pelo espaço! Somos consumidores assíduos de zines –e-zines e mídias independentes. Foi um prazer enorme poder responder essas perguntas. 

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Por lá , todos podem ficar por dentro da agenda, ver fotos, vídeos e escutar nossos sons.  Que todos nós continuemos mantendo a chama acesa! Grande abraço!





por Artur Azeredo