terça-feira, 11 de novembro de 2014

Demonized Legion Proferindo a Filosofia do Diabo


Demonized Legion foi formada em 2003 na cidade de Campina Grande, Paraiba. Desde então a banda lançou uma demo em 2005, um EP “When Heaven Falls in Darkness” em 2009 e um disco ao vivo em 2011. A proposta da banda é bem clara, um Death Metal nos moldes da velha escola, mas impondo sua personalidade e a sua temática, tornando a sonoridade única. Vomitory mostrou se receptivo e falou um pouco da trajetória da banda e seus anseios futuros.


Vomitory, conte-nos como surgiu a Demonized Legion? Qual o real proposito da banda?

Saudações Artur! Primeiramente agradecemos o espaço cedido ao Demonized Legion! A Legião Demonizada surgiu em meados de 2003, eu tocava em um projeto de Death Grind sem tanto compromisso, o projeto não andou, e assim que acabamos comecei a idealizar o Demonized Legion, por seguinte convidei o João Terrorizer e o Cleydson Decaptator para integrar a legião de Demônios. De lá pra cá foram algumas mudanças de formação, principalemte de baixista e segundo guitarrista, até que desde 2009 mantemos a mesma formação com Eu (Vomitory) nos vocais, Infernalis no baixo, Van Ripper na guitarra e Decaptaor na bateria. Nosso propósito é tocar Death Metal e proferir a Filosofia do Diabo, através da Arte e das mais variadas expressões humanas.

Em 2009 saiu o EP “When Heaven Falls in Darkness”, como foi gravar e produzir esse material? Como você vê esse material hoje?

Existiu uma verdadeira Odisséia por trás desse material! Na época a intenção era gravar o Debut, com 10 faixas, mas tivemos sérios problemas na gravação. Tinhamos gravado tudo já, e quando fomos para mixar, algumas semanas depois, pois o estúdio havia entrado em reforma, descobrimos que tudo havia sido apagado do HD. Então tivemos que gravar todo o disco novamente nas pressas, naquele mesmo dia daquela notícia “maravilhosa”, corremos atrás do equipamento, e fizemos o melhor que pudemos para a situação, mas mesmo assim algumas faixas foram descartadas pois não ficaram como queríamos, então decidimos lancá-lo como um EP. No entanto o resultado foi ainda surpreendente, a repercussão foi muito boa e o EP acabou recebendo bons elogios. A distribuição foi em todo Brasil e América do Sul, além de alguns países da América Central e outros tantos Europeus como Alemanha, Bélgica, Portugal, França, Inglaterra e Espanha. Até pra Malásia e Singapura foi mandada um lote da praga! Sempre pelo método “de Banger pra Banger”.

O disco ao vivo “Caos aos Vivos... Em Um Sanguinário Ataque da Besta” foi lançado em 2011, como surgiu a ideia para lançar esse material?

O “Caos aos vivos...” foi gravado em Campina Grande/PB, em um evento anual chamado “Sanguinário Ataque Bestial”. Nesse evento também estavam presentes os nossos parceiros sergipanos do Berzerkers e Força Bestial, além dos nossos conterrâneos do Distress. Nessa edição o headline foi ninguém menos que a lendária Calvary Death de Minas Gerais. Foi um evento inesquecível, onde estreamos nossa atual formação em Campina Grande. Disco foi gravado de forma direta, sem nenhum ajuste posterior, nada de mixagem, overdubs ou coisas do tipo, tudo foi ajustado no dia do show apenas, antes de subirmos ao palco. Não queríamos deixar passar essa oportunidade, pois o Calvary Death é uma grande inspiração para nós, e aquele show realmente ficou pra memória. Logo após esse show o Ruddy, lider do Calvary Death veio a falecer devido a complicações renais, uma perda lastimável para o underground mundial. Esse material de certa forma é dedicado a ele.

A banda ainda não lançou um full leght de inéditas, vocês tem planos para isso? Já tem composições encaminhadas?

É o nosso objetivo no momento, gravar, lançar e sair em tour novamente. Como a Luenya mora em outra cidade, temos uma dificuldade de mantermos o ritmo de ensaios, o que acaba atrasando muito o processo de composição e montagem das músicas. Temos oito músicas inéditas, a intenção é gravar ao menos 5 dessas novas. Uma das faixas que estarão no disco já está disponível na internet, “A Toast for Freedom”.

Como funciona o processo de composição dentro da banda existe uma ideologia há ser seguida?

Sim, temos uma prioridade sobre conceitos, tanto musicais quando ideológicos. Nossa proposta é clara, executar Death Metal nos moldes da época de ouro do estilo (1988-1994), mas claro que com nossas cartacterísticas próprias. Entretanto, ninguém tenta moldar ninguém, as coisas fluem de forma natural, depois de um bom planejamento. Posso afirmar que a banda mudou o foco de suas abordagens temáticas, mas nada que contrariasse seus princípios. Antes as letras eram mais focadas em discursos diretos de agressão ao cristianismo, e seu modelo “puritano” e neoliberal de conduta social, depois passaram a ser mais direcionadas as teorias libertárias de Thelema e do Satanismo Moderno. Hoje o foco é o existencialismo de Sartre, Camus e Kierkegaard, a literatura bucólica e sombria de Kafka, a poesia bela e doente de Augusto dos Anjos e Fernando Pessoa, ou seja, as teorias do limbo da compreensão, teorias que abordam a sombra em que nossas almas vivem, o absurdo, a falta de sentido total, a compreensão do sentido individual e intransferível, o conflito latente entre as regras dos homens e as regras naturais...

A Demonized Legion está desde 2003 na ativa, 11 anos de estrada, como vocês veem o atual momento do undeground brasileiro?

Sou um “shopenhauriano” por natureza, mas nesse caso, tenho que reconhecer que as coisas tem melhorado bastante e isso é ótimo! Podemos observar pela quantidade de shows e pela  melhoria na estrutura dos eventos, também o número de bandas gringas que vem se apresendando no Brasil, agora também colocando o Centro-Oeste, Norte e Nordeste no eixo de grandes eventos e tournês.
Em 2012 tivemos a oportunidade em cair na estrada, tocamos em vários estados de quatro regiões do País, e pude observar e comparar os diversos cenários undergounds, e entre as diferenças e semelhanças, vi que está surgindo uma linearidade de pensamento e de conceitos sobre como o Underground deve ser e seguir, a intolerâcnia racional sobre e presença de conceitos religiosos no Metal é um dos mais importantes valores a serem perpetuados. Ou seja o crescimento do underground precisa agora mais do que nunca ser ideológico, mas com coerência e honestidade.
O Brasil tem ótimas bandas desde sempre, o que está melhorando são as condições para que eles existam e deêm continuidade ao seu trabalho. Além de integrar o Demonized Legion eu faço parte da HellNoise, uma produtora de eventos undergrounds em nossa cidade, e posso afirmar que em Campina Grande/PB, as coisas nunca estiveram tão firmes. Ótimas bandas, uma boa estrutura pra shows, um público que comparece e apoia, consome zines, demos, trocam ideia, ou seja, fazem o que o underground precisa, que  é ser movimentado. Hoje em dia também acho que melhorou na questão de Gênero, tenho visto a presença feminina em um outro contexto que o de antigamente. Temos o prazer que ver mulheres tocando, produzindo eventos, escrevendo, fazendo produtos ligados ao estilo e não mais apenas acompanhando seus namorados, enfim, se as coisas não se focarem apenas no aspecto físico, mas também no ideológico coerente e racional, enquanto brasileiros temos tudo pra ser um dos cenários mais consistentes do submundo!


Vocês costumam utilizar a internet para contato ou divulgação? Qual a opinião de vocês sobre o uso da internet é um facilitador?

Sim, todos usamos a internet para contatos, sou do tempo das cartas, ainda mando algumas, mas bem raras, tenho que reconhecer que o comodismo virtual me dominou nesse ponto. Mas para divulgação nem tanto assim, pessoalmente não sou muito de expor ou de divulgar a banda de maneira massiva em sites ou páginas específicas. Existem informações, vídeos, e páginas sobre a banda na internet, mas não me ligo em divulgar muito, prefiro que o Demonized Legion seja apresentado no boca a boca, de preferência numa mesa de bar, ou afins, e que a partir de um interesse, que a pessoa busque conhecer a banda. Esse termo “facilitador” é muito relativo. Pra quem quer ficar conhecido por todos, a internet é perfeita,  no entanto, pra quem quer apenas divulgar seu trabalho sem proporções de grandeza, mas sim de qualidade, a internet é apenas um ferramenta que diminui as dificuldades na comunicação, agiliza o processo. O que me satura da internet é o excesso de coisas copiosas e desnecessárias. Há muita coisa inútil na vida, logo, também há na internet.

Quais os planos da Demonized Legion para o futuro?

Por enquanto gravar é nosso objetivo. Assim que tudo estiver pronto e o disco for lançado pensaremos em outra tour, dessa vez é provável que seja um giro Sulamericano. Há tempos que almejamos isso, temos muitos parceiros principalmente em países com Bolívia, Chile e Perú, queremos o mais rápido possível cair na estrada novamente, viajar é um troço que vicia!

Deixo aqui um espaço para as considerações finais da banda!

Agradeço o espaço cedido, desejo vida longa ao seu trabalho em prol do submundo! Espero ter sido claro nas respostas, aos que se identificaram, demonizem-se! 666!



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por Artur Azeredo