terça-feira, 21 de outubro de 2014

Necromancia 30 anos de estrada

Formada no ABC Paulista o Necromancia é uma das sobreviventes da fecunda década de oitenta. Surgida em meados de 84, o Necromancia lançou três discos ao longo de sua estrada, sendo eles “Necromancia” de 1996, “Checkmate” de 2001 com produção de Andreas Kisser, e “Back From The Dead”.

Conversamos com a banda sobre o mais recente lançamento e os trinta anos de estrada.


HMAN: Em 1984 surgia o Necromancia, juntamente com outras bandas da fecunda cena do ABC Paulista. Vocês tinham ideia da durabilidade da banda quando lançaram o primeiro compacto, “Hypnotic”?

Necromancia: Sempre pensamos em viver com o Necromancia, e até hoje mantemos essa vontade. Agente via que bandas que nos inspiravam, eram bandas de muitos anos de estrada e diferente do esporte, música é igual vinho quanto mais velho melhor.

Pensando na jornada da banda, 30 anos de estrada, como vocês veem o atual momento da banda?

Depois de 30 anos vivemos o melhor momento nosso, já passamos por momentos difíceis e hoje estamos mais preparados, já pensando no próximo disco. A experiência, não só de palco, mas de vida nos deu mais tranquilidade para vermos as coisas como são. Ainda temos nossos sonhos e lutamos por eles, mas com uma cabeça mais preparada.

“Necromancia” é o primeiro full da banda, o que esse disco representa pra vocês? Como foi compor e gravar para esse trabalho?

É ver um sonho realizado, o primeiro CD, mesmo porque não foi fácil grava-lo, ficamos uns anos pra conseguir bancar o estúdio.
Lembro que começamos a gravar no estúdio NCM, com produção de Geraldo D’Arbilly, na metade do processo quando cheguei pra gravar vocal, o produtor me falou que tinha perdido todas as gravações, nós rimos muito achando que era uma piada e ele disse que era verdade, foi um choque pra nós que tivemos que gravar tudo de novo, o que deixou as gravações muito melhor, e ganhamos um amigo e professor de áudio, o Geraldo.

Dificuldades sempre há, mas em algum momento elas foram maiores? A banda chegou a pensar em encerrar as funções?

Tivemos várias dificuldades, ora financeira, ora de saúde ou até mesmo óbito na família, várias vezes pensamos em desistir, não gosto de falar muito das dificuldades que passamos, o importante é que hoje estamos de pé e conseguimos superá-las, a vontade de tocar está sendo maior do que as dificuldades. Enquanto tivermos forças, vamos levar o Necrô pra frente!

“Back from the Dead” o mais recente lançamento do Necromancia, é considerado o mais pesado, rápido e sujo da carreira, a que se deve isso?

A verdadeira vontade de tocar um Metal agressivo e pesado, não esquecemos as nossas origens, hoje acho que nossas experiências contam muito pro resultado final. Acredito também que com estúdios mais equipados como os de hoje, o som naturalmente fica mais encorpado, que dá esta sensação de peso maior.

Foi lançado um webclipe para a faixa “Back from the dead”, como está a recepção desse disco? Como tem sido o retorno por parte do publico e mídia?

Estamos finalizando as edições do clipe da música Playing God desse disco.  A recepção está sendo a melhor de todos os tempos do Necromancia e junto com a Metal Media estamos desenvolvendo um ótimo trabalho, o que está nos surpreendendo bastante e mostra que estamos no caminho certo.

Como foi compor para “Back From the Dead”, vocês já tinham material pronto? Existe um conceito, as letras se relacionam?

Já existiam algumas músicas que não entraram no Check Mate, as novas composições foram desafios, porque foi um longo processo de composição.
O nome do disco pra nós representa que estamos vivos, o CD tem temas diversos como Playing God que fala da vontade de alguns seres humanos de ser Deus.
Near Death Experience fala da experiência de sair do corpo e se ver como numa sala de cirurgia.
Global Fall, fala da destruição do planeta causado pelo homem, que está a procura de um novo pra também destrui-lo.
Under the Gun mostra que vivemos num mundo de pressão e que estamos constantemente na mira.

Qual disco do Necromancia representa melhor a identidade da banda e por que?

Não sei te falar qual o melhor, musicalmente é o Back from the Dead, mas com Check Mate vivemos momentos muito bons com o produtor Andreas Kisser e todos pedem bastante esse álbum, que pra mim foi um grande marco no metal nacional. É realmente difícil escolher (risos) cada disco representa um pouco do que vivemos naquela fase.

Comparando a cena trinta anos a trás, com o atual momento do underground brasileiro, ta melhor ou pior? E a internet ajuda ou acaba se tornando um empecilho?

Acho que hoje o público é maior, a cena a cada dia se fortalecendo, só que nos anos 80 mais underground, vivenciamos as gangues como aqui os Headbangers ABC, corríamos na frente e atrás de Punks, Carecas, era um movimento muito forte e levado a sério, acho que trazemos essa atitude no Necromancia até os dias de hoje.
A internet é um super veículo que favorece e muito, não consigo imaginar sem, mesmo vindo do tempo em que ficávamos horas escrevendo e respondendo carta à mão (risos).

Vocês tem algo planejado para comemorar esses trinta anos de estrada?

Queremos lançar o videoclipe de Playing God, temos também um projeto de lançar um DVD contando os trinta anos de Necromancia, fora os shows comemorativos que já estamos fazendo.

Deixo aqui um espaço para a banda fazer suas considerações finais!


Valeu Heavy Metal All Night pela oportunidade de contar mais sobre a história do Necromancia, o que fazemos é com sinceridade, maturidade e principalmente somos músicos loucos pra continuar fazendo um metal. Vejo vocês nos shows do Necromancia e comemorar com agente esses 30 anos!

Se liguem no lyric vídeo para "Back From the Dead"



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por Artur Azeredo