terça-feira, 16 de setembro de 2014

M-26 "desistir não é uma opção"


A M-26 iniciou suas atividades em 1997 na cidade de Pelotas/RS. Lançou 3 demos, “Outubro” lançada ainda em 97, “Sentimento Sombrios” de 2000 e “Solidão” de 2005. No entanto a banda entrou em hiato, mas retornou recentemente com “Misantropia”, que firma a banda dentro do seu estilo um Dark Metal, soturno e melancólico, cantado em português.


A M-26 é; Jean Gularte (vocal), Carla Domingues (vocal), André Lisboa (baixo e vocais), Patrícia Porto (baixo e violão), Gabriel Porto (bateria), e Bruno Añaña (guitarras e vocais).

Conversamos com o André sobre o mais recente lançamento “Misantropia” e a trajetória da M-26.

HMAN: Conte nos um pouco de como surgiu a M-26, vocês sempre cantaram em português, por que?

André: A cidade de Pelotas é sombria, úmida e cinzenta, repleta de prédios antigos e abandonados, foi nessa atmosfera que a banda surgiu. Nosso antigo vocalista escrevia em português, isso acabou se tornando uma característica marcante da banda, a qual decidimos manter. Esse é um dos nossos diferenciais, as letras poéticas sempre escritas em nossa língua.

Após o lançamento da demo Solidão de 2005 a banda entrou em recesso, a que se deve essa parada? E como aconteceu o retorno?

Por motivos profissionais, os membros da banda tiveram que ir morar em outras cidades, tendo ficado a gravação do CD parada no ponto em que estava. Em 2012 nós conversamos e decidimos fazer um esforço conjunto para concluir e lançar esse material, fazendo um show pelo menos. Devido ao esforço de todos, finalmente em 2014 esse lançamento se tornou possível.

A M-26 lançou 3 demos, como você veem esse material hoje?

Como parte de nossa história, com certa nostalgia... Tanto é que no show de lançamento do CD, tocamos músicas de todas as demos, contando inclusive com a participação do antigo guitarrista Alexandre Fernandes.

"Misantropia" o mais recente lançamento da banda é o resultado de 10 anos de trabalho, como chegaram ao resultado final? Como foi o processo de composição já que a banda se encontrava em hiato?

A bateria, alguns vocais e o baixo das músicas já estavam gravados, em termos de composição não teve muito o que fazer, pois as músicas já estavam prontas, só faltava mesmo terminar de gravá-las. Tudo foi feito em Pelotas, então o pessoal teve que se deslocar até aqui, quando possível. As datas das gravações tiveram que se adequar ao calendário de todos.

A inserção de elementos da musica regional no Metal Extremo não é novidade, como vocês chegaram a essas sonoridades?

Naturalmente, sem forçar a barra. Não foi uma coisa intencional, foi algo que percebemos que nos influenciava de certa forma. Na faixa Misantropia, notamos que um acordeom se encaixaria perfeitamente, então decidimos convidar um músico para gravar conosco, e o resultado ficou muito bom, bastante homogêneo. Não dá para dizer que fazemos metal com música gaudéria, na verdade a gente inclui elementos nativistas no nosso som e na maneira de compor, mas de forma bastante prudente e sem fugir do nosso estilo.

Hoje a banda trabalha com 4 vocalistas praticamente, isso de certa forma ajuda na alternância de vocal limpo e gutural, como vocês encaixam tudo isso?

Com tanto tempo amadurecendo as composições, entre as sessões de gravação, os vocais puderam ser bastante testados. Fizemos coros, usamos diversos tipos de vocal, exploramos timbres e sonoridades, trabalhamos bastante nessa parte, essa variação vocal é uma característica da banda.

Quais as maiores dificuldades enfrentadas pela banda nesses anos, exceto pelo período em hiato e o retorno?

Eu diria que a condição financeira, uma cena underground não tão ativa quando poderia ser, e o fato de morarmos em cidades e estados diferentes. Mas são as dificuldades que nos tornam fortes, desistir não é uma opção.

Como vocês veem o atual momento do underground Gaúcho? E a internet auxilia nesse meio ou acaba se tornando um empecilho?

Como sempre, temos boas bandas mas não muito público nos eventos. As bandas estão mais profissionais em todos os aspectos e a internet ajuda na divulgação. Pode não ter mais aquela ‘aura’ do tempo das correspondências, que muito vivenciamos e que levou a M26 a ser uma banda conhecida e cultuada em todo o Brasil; hoje os tempos são outros, com mais facilidades de acesso mas com um público mais distraído, não tão engajado como outrora. Felizmente isso não é geral, ainda vemos headbangers old school que mantêm a chama acesa, apoiando a cena nacional, e mesmo uma galera nova que curte metal pesado e também apóia.

Quais os planos da banda ainda para 2014?

Agora é divulgar o CD Misantropia à exaustão! Ele está disponível para audição completa no youtube, e quem gostar pode compra-lo conosco entrando em contato pelo e-mail da banda ou pela página no facebook, por apenas R$ 20,00 com correio incluso para todo o Brasil. Nosso objetivo é que o maior número possível de pessoas conheça nosso trabalho.

Deixo aqui um espaço para as considerações finais da banda!

Agradecemos ao Heavy Metal All Night pelo espaço cedido, deixo aqui o link para que o leitor ouça nosso CD, e se gostar, entre em contato para adquirir a versão física ou mesmo para nos dizer o que achou. Curta nossa página no facebook para ficar por dentro das novidades, estamos preparando a reedição de um material antigo, remixado e remasterizado, que será um presente aos nossos fãs e um tributo aos velhos tempos!



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por Artur de Azeredo