terça-feira, 30 de setembro de 2014

Lusferus "Nós não compomos faixas sem valor"


A Lusferus nasceu em 2007, fruto da união de duas bandas do interior paulista, a Agabahan e Dark Dimension. Tendo em sua discografia uma demo “Luciférico Hino”, um EP “Opus Satanus: Apostasia” de 2008, e um full-leght “Black Seeds ov Obscure Arts”, lançado em 2013 após breve hiato e reestruturação.

No momento a banda encontra-se em processo de produção de um novo EP, em meio há esse caos, Ivader nos atendeu.


HMAN: A Lusferus surgiu do descontentamento de duas bandas do interior paulista, conte nos como ocorreu, essa fusão?

Ivader: As duas bandas já haviam se cruzado em eventos, dividindo o mesmo palco algumas vezes, que foi onde os contatos foram trocados. Por coincidência, ambas as bandas entraram em crise na mesma época e decretaram o fim justamente no início de 2007. Um mês se passou após o acontecimento, que foi quando Solrac, por telefone, fez o convite a mim (Ivåder) para se juntar ao novo projeto. Um fato curioso, é que até então eu era apenas guitarrista e vocalista (que inclusive era a posição que ocupava na Dark Dimension), e após um boato de um antigo aluno de guitarra que eu tinha na época (que havia dito que eu tinha começado a tocar bateria), que acabou gerando o interesse do pessoal, até então da Agabahan, a me fazer o convite. No fim, posso dizer que este meu ex-aluno contribuiu consideravelmente para esta fusão. 

Ainda em 2007 vocês lançaram a demo “Luciférico Hino”, como vocês veem essa demo?

Ela não é de todo o mal. Gostamos muito da “Luciférico Hino” e da “Throne ov Satan”, que inclusive entrarão com uma nova versão neste novo EP que estamos produzindo. É claro que a imaturidade da banda é notada, e a execução das músicas também é comprometida, mas temos orgulho de termos lançado este material, afinal de contas, foi o nosso primeiro passo para chegarmos aqui.

Em 2008 foi lançado o EP “Opus Satanus: Apostasia”, porque muitos o consideram um full-leght?

Na verdade eu acho que foi um mal entendido. Como as faixas do “Apostasia” se apresentam bem alinhadas sob a questão do conceito abordado, eu acredito que isso tenha contribuído para confundi-lo com um Full-length, mas nunca tivemos a intenção de lança-lo em outro formato que não fosse um EP.

“Black Seeds ov Obscure Arts” nasceu depois de uma reformulação completa na banda, porque do hiato e dessa reformulação? E o que o disco representa pra vocês?

Esse tempo foi de extrema importância para repensarmos o que nós gostaríamos de representar no Metal Extremo. Fazer shows na época não era o suficiente, nós realmente queríamos que a Lusferus se tornasse um conceito completo, algo muito além da imagem de uma banda convencional, ou seja, um CD lançado e uma agenda de shows apenas. Queríamos que as pessoas se sentissem conectadas à mesma dimensão que vivenciamos quando criamos e executamos algo (que é justamente o que as bandas que nos influenciaram transmitem sempre que as escutamos).
Eu mesmo deixei a Lusferus por um período, vieram outros integrantes, mas por fim, essa atual formação,principalmente com a entrada do Mütt como baixista, foi o que realmente consolidou as ideias que vínhamos buscando anteriormente. Resumindo, o “Black Seeds”, para nós representa justamente o caminho que a Lusferus almejou e que deverá seguir de agora em diante.

Como ocorre o processo de produção dentro da banda, há uma ideologia a ser seguida?

Com toda certeza. A ideologia é bastante complexa, mas posso resumi-la em “ocultismo” e “espiritualidade”, principalmente voltados ao Luciferianismo. Estes conceitos estão totalmente ligados ao processo de produção/composição da banda que hoje funciona basicamente da seguinte maneira: o instrumental sempre vem primeiro nas composições, com o intuito de encontrarmos a sonoridade ideal para o momento (que acaba se consolidando de forma bem natural); em seguida, criamos uma letra que seja exclusivamente ligada a esta sonoridade, para que assim cada música ganhe uma personalidade única. Nós não compomos faixas sem valor, nós sempre pensamos em fazer uma nova história para cada trabalho que nos propomos a criar.

Como você definiria a sonoridade da Lusferus?

Muitos comparam a nossa sonoridade a de bandas da Noruega e Suécia, que é onde estão nossas maiores influências, mas não nos preocupamos em planejar como queremos soar, nós apenas compomos o que está em nossa mente no momento. É como se entrássemos em outro plano espiritual para buscarmos inspiração. Como havia citado na questão anterior, a sonoridade se consolida a cada trabalho de maneira bem natural, sem nos prendermos a um estilo específico, mas claro, sempre honrando aquilo desejamos defender.

Como você vê o atual momento do underground brasileiro? A internet ajuda ou acaba enfraquecendo a cena?

Essa é com certeza a pergunta mais difícil até então. A vivência do underground perdeu aquela essência mais genuína. Hoje é muito fácil montar uma banda, gravar e divulgar o seu material. A internet com toda certeza foi o que ajudou a integrar o underground (não só o nacional), o que contradiz um pouco o que é ser ou estar dentro dele. Não sei se é ruim, ao mesmo tempo em que a internet ajuda a propagar com mais facilidade a música underground (o que antes era extremamente difícil), ela acaba saturando a rede com muitas bandas de baixa qualidade, o que de certa maneira ofusca o que realmente valeria a pena chegar ao ouvido das pessoas.

O que vocês têm a dizer sobre essa hipocrisia religiosa que assola o Brasil?

Nem precisamos mencionar que ela é a grande causadora do aprisionamento da mente humana, e cada vez mais nos deparamos com esta questão que excede limites éticos, morais e políticos. Nós já nos destinamos em outro momento, a transparecer o nosso ódio (as religiões), não só no que diz respeito ao Brasil, mas no mundo. Hoje nos focamos a mostrar um conceito mais segmentado da evolução e libertação espiritual, longe das limitações religiosas. Acreditamos que somos o nosso próprio templo e todo o conhecimento está dentro de nós.

O que podemos esperar da Lusferus ainda para 2014?

Estamos muito focados em concluir o nosso EP, mas pretendemos revelar alguns processos da produção do mesmo, e também disponibilizar na íntegra o “Black Seeds ov Obscure Arts” de forma oficial nas redes sociais.

Deixo aqui um espaço para as suas considerações finais!

Muito obrigado pelo espaço concedido e parabéns de verdade pelo trabalho que você vem realizando. Gostaríamos também de agradecer (sempre) ao Eduardo Macedo e a toda equipe da “MS Metal Press” e “Eternal Hatred”, e também a Lívia Fogaça da “Genocídio Prod”, com a qual fechamos uma parceria recentemente.
Não se esqueçam de curtir nossa página no facebook e também de conferir o nosso Sound Cloud.

Força e Honra!!!


Ave Lusferus!!!



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por Artur Azeredo