quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Torvo: "Compareçam ao Diabolus Fest, Malditos!!!"

Banda de Thrash Metal formada em 2002, na cidade de Caxias do Sul-RS. Em 2011 lançou seu primeiro registro, intitulado “World of Glory and Hate”. Produzido pelo falecido guitarrista, Paulo Schroeber, neste disco a banda busca as raízes do estilo, na sonoridade dos anos 80 e 90.

A Torvo é: Tiaraju(Vocal), Marcelo(Guitarra), Igor(Bateria) e Roger(Baixo).

Para o segundo semestre de 2014 a banda prepara o lançamento do seu próximo disco. Conversamos com o Marcelo, sobre o material que está sendo produzido e a trajetória da banda até o momento.

HMAN: Marcelo, conte-nos como surgiu a Torvo? E por que essa busca de uma sonoridade próxima ao Thrash Metal dos anos 80 e 90?

Marcelo: A Torvo surgiu na metade do ano de 2002. Conheci o Tiaraju na faculdade, e como já o tinha visto antes, tocando num festival em Novo Hamburgo, arrisquei convidá-lo para fazer um som. Nos juntamos com um outro cabeludo, baixista, o Ike,  mais o batera Paulinho, que tocava comigo há algum tempo. Assim surgiu a Torvo. Todos tínhamos as mesmas preferências musicais, e como somos filhos das décadas mais produtivas do metal, a década de 80 e 90, começamos a compor com influência de bandas que surgiram neste período. Agora a formação é outra, os tempos são outros, as bandas são outras, mas temos este tempo e este tipo de metal correndo nas veias: é só o que sabemos fazer e fazemos com honestidade.

“World of Glory and Hate” foi o primeiro disco da banda, vocês já tinham experiência em estúdio? Como você vê esse disco hoje? 

Tínhamos gravado uma Demo para ver como soaríamos com uma qualidade melhor. Essa foi a primeira experiência em estúdio. Então usamos a Demo para encaminhar um projeto na Secretaria de Cultura da prefeitura de Caxias. Fomos contemplados e entramos em estúdio, definitivamente, em 2011. Tínhamos 14 músicas e selecionamos 12. Mostramos para o Paulo Schroeber e ele curtiu, e então o convidamos para fazer o trabalho de produção do disco. Para a nossa satisfação, ele recebeu e aceitou nossa proposta. Gravei as guitarras na casa dele: 72 horas de guita, abaixo de perfeccionismos do Paulo. Se não fosse ele, creio que nosso som não teria saído pesado e forte como saiu. Acho que o disco tem uma potência considerável, e arrisco em dizer que é muito difícil soar com agressividade, e manter ao mesmo tempo uma boa qualidade harmônica e melódica. Particularmente, acho que as bandas hoje em dia soam muito parecidas, como se estivessem com tudo já pré-programado. Nosso desafio, junto com o Paulo, foi tentar soar com “modernidade”, mas sem perder a naturalidade. Acho que conseguimos um bom resultado!

Como está a produção do novo disco? E como funciona esse processo dentro da Torvo? 

Gravamos as músicas ao vivo no estúdio do baterista Thiago Caurio, em Caxias, para ouvi-las e modifica-las se necessário. Ele e o Benhur, baixista da Hibria, estão nessa parceria. O Benhur fará a produção e a mixagem do segundo disco, enquanto o Thiago auxiliará na parte técnica e no que corresponde às bateras. Geralmente, levo alguns riffs e compomos a música todos juntos. Costumo fazer as letras também, porque acabo pensando melodias para a voz enquanto componho os riffs. O mais interessante é que penso as letras de um jeito e o Tiaraju canta bem diferente, e é claro, bem melhor. Não temos nenhum tipo de discussão a respeito de autoria ou coisa do tipo. Temos as mesmas limitações e acho que isso é o que mantém o processo de composição “pacífico”. Agora que já temos as músicas prontas, estamos ansiosos para começar a gravar, o que acredito eu, começará na metade de agosto...

Ainda sobre o novo disco, existe uma temática central nas letras ou vocês costumam trabalhar com liberdade na hora de compor? O que você pode adiantar sobre este novo trabalho, já tem data de lançamento ou titulo? 

As letras não seguem uma temática, e o disco também não se encaixa no que alguns chamam de “conceitual”. Cada música tem as suas características, e as letras se encaixam de acordo com a pegada de cada uma. Neste sentido, temos bastante liberdade para compor, o que é um ponto muito positivo para uma banda. Creio que se tivéssemos uma gravadora que mandasse fazer música com isso ou aquilo, não seria muito confortável. Assim, pertencendo à qualidade de banda independente, temos que aproveitar ao máximo esse tipo de liberdade. O disco, se tudo der certo, sairá até o final do ano, gostaríamos que fosse em outubro, pra fechar com a mesma data de lançamento do “World of Glory and Hate”, que saiu em 2011, mas não sei se vai dar tempo.

Vocês já estão há 12 anos na estrada, qual as maiores dificuldades enfrentadas pela banda, o que os faz continuar o que move a Torvo? 

Não sei apontar dificuldades. Dentro deste “território” da música independente as dificuldades são compensadas muitas vezes, de acordo com a forma com que se encara elas. Por exemplo, há uma grande falta de estrutura que muitas vezes é resultado de incompetência de organizadores e blablabla...mas entendemos que isso é quase um aspecto cultural – apesar de ter grandes organizadores de eventos de metal que fazem a coisa funcionar, como o Leonardo da DyingBreed que trouxe o Deicide – assim, a gente compreende o contexto da situação, mas não deixa de tocar por causa disso. Se deixarmos de tocar por incompetência da organização, como fica o público? Tocamos em festivais que tinham uma estrutura mínima, mas um público do caralho! – como, por exemplo, em Teutônia, onde tocamos num estacionamento e foi muito foda, no final ainda ganhamos 50 pila pra gasolina e uma sacola de pastel com algumas cervejas! Como deixaríamos de tocar? Em compensação, tocamos em festivais “bem” organizados, mas que nos desrespeitaram descaradamente, e quando digo NOS desrespeitaram, inclua aí o público. Essas dificuldades já estamos acostumados. Outro problema é quando se fala em grana. Quem chama a banda pra tocar, muitas vezes acha que está fazendo um favor. Não penso assim. O bar ou festival tem gente porque tem banda tocando. As bandas tem que receber um cachê para tocar, nem que seja apenas uma ajuda de custo. Não é questão de favor, é questão de justiça!

Como você vê o atual momento do underground gaúcho? E qual a sua opinião sobre a internet nesse espaço? 

Acho a internet um meio de divulgação muito importante por que é livre. Livre ao ponto de a banda mesmo conseguir disponibilizar seu material e divulga-lo. acho que a maioria das bandas da cena underground encontra espaço nessa plataforma e isso é muito bom. Só no RS existem uma grande quantidade de bandas que ficam expostas ao mundo porque tem perfil em redes sociais, ou sites personalizados. Acho um momento muito bom, no que diz respeito a possibilidade de divulgação de trabalho autoral e independente.

“World of Glory and Hate” foi produzido pelo Paulo Schroeber, como foi trabalhar com ele? 

O Paulo foi essencial na gravação do nosso disco. Ele já estava um pouco debilitado pela doença que acabou se agravando até este ano, mas se dispôs a fazer este trabalho com a gente. Ele era um cara bastante perfeccionista, mas era assim porque era extremamente competente. Conhecia tudo que diz respeito a equipamento e sonoridade do metal. Gravar com ele foi muito importante, porque reaprendemos a tocar, no estúdio. Ele nos deu dicas de como ter uma pegada mais forte, como soar mais agressivo, etc ou seja, fez o que um produtor geralmente faz,o Paulo ainda fez a mixagem, junto com o Juliano Boz. Ele era aberto a ideias e também foi bem maleável em relação ao estilo da banda: ele sabia entender o nosso som. Lembro que uma vez eu estava tocando um trecho de uma música e ele disse: Cara, isso tem que soar que nem uma máquina, assim, tamtamtamtam...então eu disse: Mas eu curto tocar assim, mais swingado...no que ele respondeu, tirando um sarro: é...tem que respeitar o artista!!!

Vocês estão no cast do Diabolus Fest, existe uma expectativa para tocar na região central do estado? 

Claro. Nunca tocamos pra essas bandas e estamos bastante ansiosos. O Cristiano é um sujeito muito prestativo. Responde as dúvidas e nos deixa seguros. Os festivais do interior, geralmente, são do caralho, porque a turma se mexe e faz a coisa acontecer. Temos certeza que vai ser muito foda!

Quais os planos da banda ainda para este ano? 

Temos que gravar esse disco e fazer alguns shows que estão agendados. Ainda temos um projeto que consiste em fazer um tributo ao “Sepultera”, onde tocamos clássicos e não-clássicos do Sepultura e Pantera. Temos alguns shows agendados para isso também. Temos outros planos, mas acho que só serão possíveis depois do disco pronto e, portanto, só para o ano que vem!

Deixo aqui um espaço para suas considerações finais!


Agradeço pelo espaço e mando um recado para o público de Julio de Castilhos e região: Compareçam ao Diabolus Fest,  Malditos!!!!!!

Assistam o videoclipe para a faixa "No More"



Links Relacionados



por Artur de Azeredo