quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Atropina "Não adianta querer resistir à internet."

Nascida em 1996 a Atropina sempre se destacou pelas composições próprias cantadas em português, tanto no inicio da carreira, na fase mais Thrash Metal da demo “Louvar a tudo por nada”,  lançada em 1998. Até atingir o Death Metal com “Santos de Porcelana” lançado em 2001. Em 2004 a banda entra em hiato, retornando em 2012, dois anos depois, mais precisamente em Março de 2014 os caras entram em estúdio para gravar “Mallevs Maleficarvm”, lançado em junho do mesmo ano.

Conversamos com Alex Alves guitarrista da banda, que falou um pouco do atual momento da banda e do mais recente lançamento!


HMAN - Primeiramente Alex nos conte como surgiu a Atropina? E por que a escolha das letras em português, já que a maioria das bandas opta pelo inglês

Alex - Antes de qualquer coisa, obrigado pelo espaço que você está nos dando.
Atropina surgiu em meados dos anos 90 quando eu juntamente com o Leônidas (guitarra e vocal) e o Fábio (baterista) decidimos montar uma banda diferente das outras bandas que existiam na região de Teutônia. Ao invés de montar uma banda cover, decidimos desde o início criar sons próprios com letras em português. Achávamos e continuamos achando interessante as letras em português porque, apesar da complexidade em fazer letras que soam bem, podemos transmitir o que pensamos e valorizar a nossa língua, mesmo que isso possa nos restringir.
O início foi bastante complicado. Começamos com uma bateria usada, uma guitarra barata e outra caseira. Ligávamos as guitarras em aparelhos de som antigos no volume mais alto que era pra dar distorção. Geralmente arrumávamos brigas com vizinhos e polícia nos ensaios, porque a garagem que utilizávamos pra ensaiar não tinha acústica nenhuma e o nosso baterista batia com muita força.

A banda surgiu em 96, lançaram uma demo e um disco e entraram em hiato, a que se deve essa parada? O que os fez dar um tempo?

Em 2004 decidimos começar outro projeto (Legis Edax) que fazia um death metal mais técnico, diferente das características da Atropina. Esse projeto durou cerca de 4 anos. Como todos estavam muito ocupados com estudos e trabalhos, decidimos parar. Em 2012, eu e o Murillo (baixista) estávamos com muita vontade de voltar a tocar. Conversamos e decidimos voltar com a Atropina.  Convidamos o Mateus que foi baterista na época da Legis Edax e completamos o time com dois integrantes novos (Fernando e Cleomar), pois os outros integrantes (Samuel e Leônidas) não tinham como conciliar o trabalho com a banda.

O Death Metal executado pela banda remete muito as bandas do final dos anos oitenta e inicio dos anos noventa, quais as influencias da banda? A que se deve essa sonoridade?

A sonoridade saiu de forma natural e quando voltamos com a Atropina uma das premissas era criar sons na mesma linha, sem nos preocupar com um rótulo. Nossos sons se encaixam no death metal, mas com bastante influência black metal no instrumental.
Nossas principais influencias são Hypocrisy, Morbid Angel, Belphegor, Marduk, Obituary, Deicide, Dark Funeral, Nile, Slayer, Septic Flesh, Zoltar, Sarcastic, Embalmed, Rebaelliun, etc...

“Santos de Porcelana” disco lançado em 2001, 13 anos depois como você vê esse trabalho?

Santos de Porcelana é um álbum muito brutal e direto. As letras foram muito bem elaboradas pelo Leônidas, o instrumental bastante criativo e a sensacional. Acredito que Santos de Porcelana sempre será uma influência para nossos próximos trabalhos. Tocamos dois sons dele nos nossos shows. Diferente do Mallevs, ele é um trabalho que não ficou tão bem mixado, mas foi o suficiente em uma época em que os recursos eram escassos para nós.

O mais recente lançamento “Mallevs Maleficarvm” saiu em junho, como tem sido o retorno do publico em relação ao novo disco?

Excelente. Diria até que está acima da expectativa. Estamos recebendo muitos elogios, tanto pelas músicas, letras quanto pela qualidade da gravação. Todos comentam que dá pra escutar muito bem todos os instrumentos e vocal. Realmente ficamos muito satisfeitos e ansiosos pra gravar um novo material.

Por que “Mallevs Maleficarvm” no explique a temática por trás do disco? Como funcionou o processo de produção do disco?

Queríamos um tema que causasse o mesmo impacto que Santos de Porcelana. Então encontramos no Mallevs Maleficarvm um livro recheado de idéias para tal. Nosso principal objetivo nas letras é mostrar o atraso e estrago que o cristianismo causou e continua causando à humanidade, e o Mallevs Maleficarvm faz parte disso.
Com relação ao processo de produção, foi tudo muito rápido. Aproveitamos o feriado de carnaval e passamos 3 dias trancados no Soundstorm Studio em Bento Gonçalves. As mixagens e masterizações foram feitas pelo Ernani Savaris, cara com quem tivemos muita facilidade de trabalhar e que entende muito. Com o material em mãos fomos à luta e conseguimos arrumar 8 parceiros que nos ajudaram no lançamento. Mandamos prensar na Kyrios CD Solution (empresa muito profissional) e em junho nossos CDs já estavam em mãos.

A internet sem duvidas nenhuma é um facilitador na hora de divulgar, um evento ou um lançamento. Você acha que mesmo sendo esse facilitador ela acaba atrapalhando? Deixando o publico acomodado?

Não adianta querer resistir à internet. Precisamos nos adaptar e tirar proveito do que ela tem de bom. Ela ajuda muito na divulgação, pela rapidez e alcance que antes dificilmente conseguiríamos. De certa forma, pela facilidade e grande quantidade de informações as pessoas acabam ficando acomodadas. Devido à comodidade que as pessoas têm para baixar mp3 é necessário que os CDs tenham preços mais baixos e se explore outras formas de merchandising como, por exemplo, venda de camisetas.

Se comparar com a cena de 1996, como você vê o atual momento do underground gaúcho? 

Nos anos 90 rolava no máximo um festival por mês que dava entre 400 e 600 pessoas por festival. Atualmente rola em média 2 ou 3 festivais por final de semana no RS, o que faz com que o público se divide causando a falsa impressão de que o movimento está enfraquecendo. Mas diferente disso, vejo que o público está aumentando, os festivais estão com estruturas mais profissionais e as bandas estão podendo lançar materiais com produções de altíssimo nível.

Quais os planos da banda para o resto do ano? Quais os compromissos da banda?

Esse ano nós já participamos de diversos festivais e até o final do ano participaremos de mais alguns. Também gravaremos um vídeo clipe e em paralelo a isso já estamos com sete novas letras e alguns riffs prontos pra em 2015 lançarmos o 4º trabalho.

Deixo aqui um espaço para as suas considerações finais!


Parabéns Artur pelo apoio que você tem dado ao underground, assim como os zines, selos, organizadores de festivais, bandas e todos que apoiam através da compra de materiais das bandas e comparecimento aos festivais. O movimento underground existe, pois tem pessoas que acreditam nele e não tiram proveito dele.



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por Artur de Azeredo