quinta-feira, 29 de maio de 2014

Wilfred Gadêlha autor do recém lançado PEsado em entrevista exclusiva ao Heavy Metal All Night

Apesar do Heavy Metal no Brasil ter se consolidado, existir uma cena underground forte, e um numero de Headbangers considerável, não existem muitos registros bibliográficos. “PEsado – Origem e Consolidação do Metal em Pernambuco” do Wilfred Gadêlha, conduz o leitor pelas ruas do centro de Recife, onde a cena pernambucana se consolidou, como uma das mais ativas do Brasil.

Sobre o livro recém lançado e é claro sobre Metal conversamos com Wilfred Gadêlha Confiram!


Primeiro de tudo apresente se aos nossos leitores, Quem é Wilfred Gadêlha? A quanto tempo escuta Heavy Metal?

Bem, nasci em uma cidade do interior de Pernambuco, Goiana, a 65 km do Recife. Sou formado em jornalismo pela UFPE e trabalho no Jornal do Commercio, como editor de Cidades. Comecei a ouvir metal em 1986. Fui a meu primeiro show em 1989. Toquei bateria em duas bandas, Dark Fate e Cérbero. E hoje sou vocalista de outras duas, Cruor e Câmbio Negro.

Como surgiu a ideia de fazer um livro sobre a cena do seu estado?

A ideia remonta a 2009, quando fui convidado pelos sociólogos Daniela Ferreira e Amílcar Bezerra para dar uma entrevista para uma pesquisa que eles estavam fazendo. De fonte, virei consultor e, depois, assinei o relatório de pesquisa junto com os dois e o franco-lusitano Jorge de la Barre. Depois, fizemos uma outra pesquisa – a primeira foi sobre a cena metal no Recife pós-mangue - , sobre o metal no interior de Pernambuco. Aí, surgiu a ideia do livro. É bom salientar que todos os trabalhos que citei foram financiados pelo Fundo de Incentivo à Cultura de Pernambuco, incluindo PEsado.

Como ocorreu o processo de pesquisa e produção do livro? Quanto tempo até ficar totalmente pronto?

Como disse, começou em 2009. Então, 70% das entrevistas foram feitas durante as pesquisas. Adicionamos mais algumas e em maio do ano passado eu comecei a escrever. Terminei o texto bruto em 31 de dezembro de 2013. Aí, foi só lapidar, revisar e finalizar a pesquisa iconográfica. O design foi feito por Alcides Burn, artistas pernambucano responsável por capas de bandas como Blood Red Throne, Executer, Headhunted DC e Sanctifier, só para ficar em algumas. Saiu da gráfica no dia 6 de março deste ano. O resto é história.

Ainda não tive acesso ao livro, logo o terei, poderia nos dizer qual a sua abordagem?

O livro trata da cena local. Não entro no âmbito de o quão a cena pernambucana é importante, mas deixo claro que ela é dinâmica. Passa por altos e baixos, como em todo lugar. Creio que temos um diferencial, principalmente a partir dos anos 90, quando surgiu o manguebeat, que eu chamo de grunge pernambucano. Foram anos muito difíceis, mas que a cena soube suportar, caminhando na trilha do extremismo.

Com quantos anos conheceu o Heavy Metal? Que bandas te inspiraram a escrever o livro?

Eu conheci o metal com 12 anos. Não sei se uma banda ou bandas me inspiraram a escrever. Prefiro dizer que o trabalho de caras como, Sam Dunn e Joel McIver, documentaristas que me inspiraram.

Qual a sua visão hoje, do underground brasileiro? E qual a importância e relevância da internet para a consolidação e fortalecimento da cena?

Eu acho que metal é difícil em todo canto. Não acho que as dificuldades de que Edu Falaschi falou – inclusive discordo frontalmente do que ele disse – são exclusivas do Brasil. À exceção talvez da Escandinávia, metal é complicado no mundo inteiro. Nos Estados Unidos, há altos e baixos. Mas o que vejo de diferente é que nestes centros maiores há mais organização, principalmente no quesito profissionalismo, um circuito de clubes e turnês. Isso faz falta aqui no Brasil.

Deixo aqui um espaço para você vender seu peixe, e fazer suas considerações finais!


Queria dizer que fico feliz em ter atraído a atenção de um veículo gaúcho. Interessante também é que não imaginei que um livro sobre o metal de Pernambuco iria ter público fora do Estado. E tem. Queria dizer ainda que o livro está esgotando e que já estou tratando da segunda edição. E que quem quiser comprar, basta mandar um e-mail para pesadoolivro@gmail.com . E, por fim, obrigado pela oportunidade. Me despeço ao som do Baroness! Abraço a todos!




Agradeço a atenção e o interesse do Wilfred e não deixem de conferir está baita obra! PEsado - Origem e Consolidação do Metal em Pernambuco.


Stay Heavy!



por Artur de Azeredo