sexta-feira, 16 de maio de 2014

Entrevista: Postmortem


A Postmortem nasceu em Pelotas/RS, no outono de 2004 sob o nome de “Wargod”. Dez anos depois, com uma demo(“Out of Tomb” 2006/2007), um singles (“Beneath the Sands Time” lançado em 2012) e dois Ep’s (“Atra Mors” de 2013, e “Whitin The Carcass” lançado em Março deste ano) na bagagem a banda mostra a que veio a cada lançamento.

A Postmortem é Bruno Añaña(Guitarra/vocal), Douglas Veiga(Bateria), Mou Machado(Guitarra) e Juliano Pacheco(Baixo).

Conversamos com o Douglas Veiga sobre a trajetória da banda e o recém lançado “Within the Carcass”. Confiram!


Como de fato surgiu a Postmortem? Quando o nome ainda era Wargod vocês já tinham ideia da sonoridade que fariam ou foi algo natural?

Douglas: Eu já tocava com vários amigos aqui da cidade, mas nada oficial e ninguém queria dar seguimento mais sério às bandas que tocávamos, em geral bandas de Death e Thrash Metal. Então lá pelo primeiro semestre de 2004 um amigo me disse que conheceu, pela internet, um guitarrista que estava a procura de baterista. Entrei em contato e era o Bruno, ele e o irmão estavam procurando baterista e vocalista. Depois do primeiro contato, marcamos uma conversa e nesse mesmo dia encontramos nosso vocalista. O nome Wargod era provisório, não durou mais que um mês, e nessa época a gente tocava apenas uma própria, “Corpse Decapitation”, então nossa vontade era de fazer um metal rápido e pesado, do Thrash ao Death mesmo. Nossos covers na época dizem muito sobre isso: Morbid Angel, Deicide, Slayer e entre outras.

Quando lançaram a primeira demo “Out of Tomb” em 2006, vocês imaginavam que teriam essa aceitação e continuidade de trabalho?

Da nossa parte, com aceitação ou não, continuaríamos a tocar o barco. Já a aceitação que hoje em dia a gente tem, nos surpreende bastante e nos deixa com muito orgulho do nosso trabalho. Além disso, nos faz buscar mais e mais qualidade e novos lançamentos.

Como ocorre o processo de composição dentro da banda?

Geralmente vamos para o ensaio com algumas ideias e vamos desenvolvendo elas juntos. Depois disso levamos pra casa e cada um pensa em mais elementos e partes pra dar continuidade. A letra geralmente sou eu que faço, mas há contribuições de todos e o Bruno escreve também.

Quais as principais influências da banda, que banda ou musico, ajudam a moldar a sonoridade da Posmortem?

Morbid Angel, Deicide, Vader e Nile são bandas que sempre citamos, mas Cannibal Corpse, Aborted, Death... na verdade tudo o que escutamos nos influência individualmente e aparece inconscientemente nos riffs, músicas e até nos timbres. Tudo isso contribui para o nosso som.

Como tem sido a aceitação de “Whitin the Carcass”? Qual a sensação de ver o material sendo distribuído e tendo uma boa receptividade?

Estamos divulgando bastante este novo material, e com trabalho e empenho a gente vê que ele está sendo muito bem aceito por todos que ouviram. Ficamos muito felizes e motivados a lançar mais material inédito.

Whitin the Carcass” é um trabalho forte com riffs e letras marcante, vocês estão satisfeitos com o resultado alcançado?

Sim com certeza, a cada lançamento nós tentamos deixar o som mais pesado e brutal.

O disco trás 4 faixas, sendo que 2 delas são inéditas e as outras 2 já haviam sido lançadas, como surgiu essa ideia de relançar essas faixas?

A gente sempre quis regravar as músicas que lançamos na demo, gostamos delas mas elas precisavam de uma gravação com mais recursos, mais qualidade. Com esse lançamento encerramos as regravações, daqui pra adiante só inéditas.

Quais as principais dificuldades enfrentadas pela banda ao longo dos anos? Como sobreviveram fazendo o que gostam e acima de tudo com muita qualidade?

As dificuldades são as mesmas pra todas as bandas no inicio, falta de apoio de organizadores, transporte, falta de grana pra investir em equipamentos e gravações, falta de uma cena mais unida. Mas do inicio até aqui, ao longo desses 10 anos, eu posso dizer que tudo isso mudou pra melhor. Hoje em dia tocamos em festivais onde a organização ajuda com os custos de transporte ou alimentação, hoje em dia todos nós da banda trabalhamos, então fica mais fácil adquirir equipamentos de qualidade. Além disso, nós e mais duas bandas dividimos um local próprio pra ensaios, o que ajuda muito no dinheiro investido, o que antes ia pra estúdios, hoje fica pras bandas. Sobre a qualidade, acho que se uma banda ensaia, tem uma visão clara do que quer soar e como fazer isso, com muito ensaio e esforço, a qualidade aparece e o publico é o termômetro disso.

Qual a opinião de vocês sobre a atual cena underground gaúcha? E qual o papel da internet hoje nessa cena?

Acho que o sul do país, não só nós gaúchos, tem muito potencial pra ser um expoente do underground mundial, MAS precisa de união. Sei que hoje em dia é muito mais fácil a divulgação de uma banda ou de ir ver um show grande. Mas enquanto o ego atrapalhar, enquanto o público não entender que o ingresso às vezes é caro pra bancar os custos de um festival com mais qualidade, nada vai mudar... Sempre ouvi que a região do norte e nordeste do país tem uma cena muito forte, muitas pessoas indo a shows. Aqui tem muita gente que curte música extrema, mas a grande maioria fica sentada no pc baixando CD de gringo (que também, como qualquer banda underground, precisa vender seu material) sem ir a shows e eventos da região.
A internet só ajuda, hoje em dia o alcance de um cartaz de evento é muito mais direcionado, é muito fácil conhecer as bandas através de aplicativos de rede social, sites de compartilhamento de informação, revistas on line, tudo isso só veio a somar. Eu tive o prazer de corresponder com algumas bandas no tempo da carta e hoje em dia mantenho contato com várias pessoas dessa época e de graça.

Quais os planos da banda ainda para 2014? Quando sai o full leght da banda, já tem data, podem nos adiantar algo?

Nossos planos são dominar o mundo! Haha Tocar bastante pelo estado, e se rolar algum convite, tocar fora do estado. Nesse ano vai ser também nossa estréia em palcos Uruguaios, temos uma data em Montevideo. Sobre o full lenght, o plano é começar as gravações esse ano ainda, mas não temos uma data certa. Como vamos gravar de forma independente de novo as coisas vão se ajeitando conforme a agenda pessoal de cada um dos integrantes. Só sei que vai ser mais pesado e brutal que os outros lançamentos.

Deixo aqui um espaço para considerações finais da banda!

Muito obrigado pela iniciativa Artur e pelo espaço e divulgação do nosso trabalho. Agradeço também a todos que de alguma forma apoiam a banda de forma direta ou indireta.
Agora um recado para os headbangers: Não adianta chorar que a tua banda preferida não vem tocar no teu país ou região. Pra uma banda grande vir o produtor precisa ter pagantes e pra saber o numero total é feita uma estimativa de acordo com a cena local. Se tu não vai a show nenhum, não apoia a cena nem que seja na forma de um simples e prazerosa que é ir num evento local, tomar uma cerveja com os amigos e escutar um bom som pesado, é melhor mesmo que fique em casa lamentando. O metal não precisa de bundões!
Apoie a cena, vá a shows, compre zines, compre material das bandas, Vá a eventos!
\m/



Agradeço a atenção e o empenho do Douglas em responder as perguntas! Longa vida a Postmortem!

Links Relacionados


https://www.facebook.com/postmortemrs?fref=ts



Stay Heavy!


por Artur de Azeredo