quinta-feira, 10 de abril de 2014

Entrevista Cangaço


O território brasileiro é dividido em 26 estados e o Distrito federal, distribuídos em cinco regiões. Muitas divisões territoriais acabam afetando diretamente a cultura, estados criam a sua própria identidade cultural e isso reflete na musica, há bandas de heavy metal que usam da cultura local para criar sua identidade musical, isso que é fascinante no Brasil.
Falando em regionalismo, no ano de 2010, surge em Recife o Cangaço, banda de Thrash/Death Metal, que mescla com muita inteligência ritmos locais, (como o baião, forró, maracatu, entre outros) com a musica pesada. Ainda em 2010 a banda venceu o Wacken Metal Battle Brasil, e teve a oportunidade de tocar no Metal Battle da Alemanha, dentro do Wacken Open Air, um dos maiores festivais do mundo.
O ano de 2010 foi movimentado, mesmo assim os caras soltaram duas demos, “Cangaço” e “Parabelo”. Em 2011 sai o EP “Positivo”, no mês de janeiro de 2013 a banda lança seu primeiro álbum intitulado “Rastros”. Detalhe, todos os álbuns foram lançados de forma independente, mesmo tocando fora do País e com uma formação sólida, os caras não tiveram apoio externo.

A formação da banda consiste em Rafael Cadena(Guitarra/ Vocal) Magno Barbosa Lima(Baixo/Vocal), Mek Natividade(Bateria/Percussão).

Com muita satisfação trago até vocês essa baita entrevista com a banda!


Como surgiu o Cangaço? Sempre houve esse intuito de mesclar musica regional com o Heavy Metal?

Surgiu da necessidade de criar uma identidade musical própria, algo que unisse nossa forma de pensar junto aos nossos gostos musicais diversificados. Somos tão apreciadores da música e cultura brasileira quanto fãs de heavy metal, então essa fusão foi surgindo naturalmente à medida que as músicas iam sendo criadas. É um experimentalismo constante.

Como foi para vocês vencer o Wacken Metal Battle Brasil e ir tocar na Alemanha, e fazer parte do Wacken Open Air? Mesmo como coadjuvantes!

De grande aprendizado do que é o profissionalismo de uma banda que almeja a carreira internacional. De que os sonhos realmente foram feitos para se tornar realidade, mas, além de tudo, serviu para termos a certeza do caminho que estávamos seguindo.

A cena nordestina é bem solida, e sempre nos brinda com grandes revelações, como você vê o atual momento da cena underground nordestina?



É complicado falar da cena underground nordestina como um todo, não conhecemos todos os estados e ainda sim levaria um tempo para entender como as coisas funcionam em cada lugar, mas se tratando de Recife podemos dizer que apesar da carência de estrutura para shows, vivemos um período bem produtivo, várias bandas lançando seu primeiro álbum e almejando ir cada vez mais longe. Turnês pela Europa e pelo Brasil estão se tornando mais comuns e a cidade já faz parte da rota shows da maior parte das bandas que fazem turnê pelo nordeste. Isso é muito positivo.


Como Headbanger brasileiros, o que vocês acham dessa diversidade cultural, cada vez mais bandas estão usando disso para criar suas próprias características sonoras, o que vocês têm a dizer sobre isso.


Não só interessante, mas, extremamente necessário culturalmente. Bandas de Metal de qualquer parte do mundo têm capacidades técnicas equivalentes atualmente. O que obriga o mercado a buscar as verdadeiras novas sonoridades, não quem toque muito ou pouco, mas ideias novas, aliadas a mensagens sólidas. Bandas com uma cara própria e, se essa cara refletir o que o público precisa e quer escutar, melhor ainda. Essa é a função primordial do artista.


Ao longo dos anos o Cangaço tem soltado excelentes discos, quando soltaram as primeiras demos lá em 2010, vocês chegaram a imaginar a dimensão e aceitação que essa sonoridade única ganharia?

Acreditávamos que o bloqueio ao nome e à proposta iria ser maior, mas, decidimos arriscar mesmo assim. O que nos levou à conclusão de que o diferente serviu mais como propaganda do que bloqueio aos novos ouvintes. Aceitação ou negação de uma proposta artística na maioria das vezes é apenas uma questão de tempo, ou mesmo estado de espírito.

Falando do Full Leght lançado no ano passado como está a receptividade de “Rastros”?

Bastante positiva, não chegamos a fazer uma turnê de divulgação do álbum, mas, sempre aparecem pessoas interessadas em shows e na compra do disco. As boas críticas de sites e grupos em redes sociais que escrevem resenhas têm tornado a popularidade do CD bem sólida.

Como ocorre o processo de composição dentro do Cangaço? Quem é o cérebro por trás das composições ou todos contribuem?

Geralmente uma ideia estruturada por algum de nós é levada para estúdio e todos opinam e trabalham no processo de “lapidação”. Flui mais rápido e conseguimos otimizar o tempo dessa forma. Todos compõem e opinam sobre as composições.

Como foi o processo de gravação de “Rastros” já que vocês já tinham a experiência de gravações anteriores? O objetivo proposto com o álbum em termos de sonoridade foi alcançado?

Foi bem tranquilo. Como toda gravação, serve de intenso autoconhecimento para todos da banda e envolvidos no projeto. Nessa época houve ainda a saída de André Lira da banda. Tudo na paz e harmonia. A mixagem em si nunca termina, ela se finaliza pelo prazo. Nunca se está 100% satisfeito, e isso é bom. É o que impulsiona a busca por novos desafios, sonoridades e limites. E a certeza da superioridade do próximo lançamento em relação ao anterior.

Quais os planos para o Cangaço em 2014, o que podemos esperar ainda para esse ano?

Divulgar o disco em shows e preparar um novo álbum. Gostamos muito da sonoridade das músicas no projeto ‘’Cangaço Grava ao Vivo’’ e planejamos uma gravação naqueles moldes para um próximo disco. Como antigamente, ao mesmo tempo, ao vivo e bem vivo.

Deixo aqui um espaço para a banda fazer suas considerações finais!

Profunda gratidão a você e a todos da imprensa especializada. Imprensa e bandas se completam e precisam um do outro para alimentar a cena de trabalhos e informações. Força aos apreciadores do Metal no Brasil e da cultura nativa. Autoconhecimento e discernimento a todos. \,,/_




Desde já agradeço a atenção e empenho! E parabéns pelo excelente trabalho da banda!

Confiram um pouco do som dos caras!




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Stay Heavy!

por Artur de Azeredo