sexta-feira, 7 de março de 2014

Wild Witch



O
Heavy Metal no Brasil ganhou força nos últimos anos, soma se a isso a carga de shows e não falo a nível internacional, mas nos grandes festivais regionais que temos a cada ano. Bandas independentes fazendo acontecer, vestindo a camisa e erguendo a bandeira do Heavy Metal Nacional, no entanto não posso fazer esse mesmo comentário com relação ao publico. Que na sua maioria prefere pagar uma nota para ver bandas internacionais do que gastar metade para apoiar a cena local. Triste mas é Brasil!
Enfim essa ascensão, aliado ao fortalecimento do Heavy Metal no Brasil, propiciaram o surgimento de varias bandas! Trago aqui os paranaenses da Wild Witch, banda formada por jovens de competência e com muita vontade de fazer barulho.
A Wild Witch nasceu do embrião da banda de Thrash/Speed Metal Crusher, no inicio faziam alguns covers de bandas clássicas do Heavy Metal mundial, mas tudo começou a ganhar ares mais sérios.  Após um desentendimento dentro da Crusher Felipe, principal mentor das duas bandas, decidiu por encerrar as atividades e continuar apenas com a Wild Witch, isso em meados de 2011.
Assim a banda passou a trabalhar em composições próprias, na metade de 2013 gravou um EP intitulado “Burning Chains”, em novembro do mesmo ano, o lançou de forma independente.
Hoje a banda conta com Flav Scheidt(vocal), Felipe ”Rippervert”(baixo), Mariano Burich(Guitarra), Weiberlan Garcia(bateria).


Conversamos um pouco com a banda sobre suas atividades, sobre o EP e os planos da banda para 2014! Confiram!

Primeiro, por que a Wild Witch decidiu abandonar os covers e se aventurar em composições próprias, como ocorreu essa consolidação?

Flav: Nosso objetivo foi sempre seguir por este caminho das composições próprias. No entanto, o metal tradicional nunca teve muita força em Curitiba, nenhum de nós tinha muita familiaridade tocando este tipo de som, éramos quatro pessoas apaixonadas pelo estilo, mas que vinham de trabalhos anteriores em outros estilos. Tocar covers foi o nosso modo de mergulhar no gênero e adquirir entrosamento.

Felipe:  A ideia foi ensaiar músicas de outras bandas da forma mais livre possível pra que, a partir dali, pudessem ir se desenhando nossas próprias características sonoras, dentro das características de interpretação e técnica de cada integrante. Embora tivéssemos um objetivo sonoro, cada um tinha suas próprias familiaridades com o instrumento e influencias que iam além do que pretendíamos fazer como som.

A Wild Witch está a pouco tempo na estrada, mas já mostra maturidade na sua sonoridade, o que se deve isso, na opinião da banda? Talvez a experiência adquirida em outros projetos?

Felipe: A maturidade musical da banda acho que é um reflexo da maturidade pessoal de cada integrante. A Crusher era mais diversão, “porra-louquice”, não buscava tanto esmero.  Eu tive uma boa experiência tocando com o Axecuter que tinha músicos veteranos e tentei levar essa experiência para a Wild Witch. O Mariano também é muito detalhista. Se for pra fazer preferimos fazer o mais direito possível, seja no visual, presença de palco, gravação e composições. Não gostamos quando o termo “underground” se confunde com amadorismo.  Acho que você pode ser underground e ter um trabalho bem feito. Se a proposta vai agradar ou não a outras pessoas, é outra história. A proposta tem que agradar, antes de tudo, a gente mesmo! Mas ninguém pode dizer que estamos levando a banda com desleixo. 

A sonoridade da banda lembra muito as bandas do inicio dos anos oitenta, um Heavy Metal bem tradicional, a Wild Witch nasceu com esse proposito, de resgatar essa sonoridade ou esse processo ocorreu naturalmente já que no inicio a banda fazia alguns covers?

Flav: Foi o propósito desde o início, mas nós precisávamos nos adaptar ao estilo, mesmo sendo fans. Para mim, por exemplo, foi um trabalho bastante duro adaptar meu conhecimento e minha voz a um estilo que necessita tanto de verticalidade e de uma boa pitada de agressividade.
Mas bem, nossa intenção nunca foi imitar ou tentar reviver o que passou, a ideia é criar algo novo com base no que foi feito de bom no passado. E existem muitas coisas boas nas quais se inspirar!

Felipe: Embora muitas vezes eu mesmo acabe usando termos como “revival” ou “oldschool” não gosto desses termos. Pra mim isso não existe, é bobagem. Heavy Metal tradicional é daquele jeito e ponto, não tem que chamar de “Heavy Metal revival”. O “oldschool” está nos timbres, na textura e até no visual, mas não na estrutura da música. Os covers, conforme eu disse, foram legais para cada um soltar suas características e a gente definir a nossa cara. Não é porque temos como proposta fazer Heavy Metal influenciado por Judas Priest que devemos soar idênticos a Judas Priest, por mais que as vezes remeta a essa ou àquela banda. Usamos os mesmos elementos, mas procuramos criar composições com nossas próprias características, tentar buscar nossas ideias de arranjos e combinações de notas e acordes e usar o poder de interpretação de cada um. Acredito que todo músico é único. 

Quanto ao processo de composição e gravação, como foi trabalhar em “Burning Chains”? Vocês já estavam habituados a compor e gravar?

Flav: As três músicas próprias do EP foram as primeiras a serem compostas, isso foi mais de um ano antes de começarmos a gravação. Normalmente nos reunimos e mostramos ideias uns aos outros e assim vamos construindo a música, alguém chega com alguma ideia, algum esboço e todos vamos trabalhando em cima disso, dando o que a música pede. Eu pessoalmente me envolvo mais na composição da melodia vocal e das letras, já havia feito isso antes, mas nunca nada nesse nível.
Tivemos muitas dificuldades na gravação por conta de inexperiência, mas acho que aprendemos algumas coisas bastante rápido. Também não ajudou muito a amigdalite que tive uma semana antes do início da gravação dos vocais (o que nos atrasou um bocado).
Foi minha primeira experiência com gravação e eu vejo vários pontos em que poderia melhorar, mas no geral fiquei bastante satisfeita. Ajudou bastante termos um engenheiro de som bastante competente. Embora ele também não seja capaz de operar milagres.

Felipe: Havia tido uma experiência com o Crusher e acompanhei de perto as mixagens do primeiro full lenght da Axecuter, “Metal is Invincible”. O que mais busquei foi perfeccionismo em tudo o que podia. Claro, tinha que ser espontâneo mas isso não era desculpa pra não tomar cuidado na hora da mixagem. Cheguei a ir no estúdio para incomodar o engenheiro de som para aumentar o volume do backing vocal de uma música. Pode parecer chatice, mas é para agradar a gente antes de tudo. Não gostaria de ter deixado um ou outro detalhe passar e depois pensar: “Poxa, ficaria bem mais legal daquele jeito que eu tinha pensado”.

Qual o retorno e a aceitação do publico, com relação ao EP?

Flav: Tudo tem sido bastante positivo! Esgotamos duas tiragens do EP bastante rápido, inclusive com muitos pedidos vindos da Europa. E logo também lançaremos o EP em fita cassete pela Infernö Records, da França. O alcance logo nos primeiros dias nos assustou um pouco, mas foi bastante gratificante. Inclusive sabemos que o EP foi parar bem rápido em alguns sites de download especializados em metal, o que eu não consigo me decidir se me deixa feliz ou brava.

Felipe: Temos sentido apenas um pouco de falta de divulgação. Enviei o press kit para vários canais mas poucos retornaram. A Infernö ajudou bastante na divulgação e trouxe um retorno significativo. Infelizmente tenho consciência que muitos canais especializados trabalham na base da politicagem e “camaradagem”. 

Quais os planos da Wild Witch para 2014? Sai mais algum material esse ano?

Flav: Bem, acho que 2014 (principalmente o segundo semestre) será um ano um pouco complicado para nós. Felipe irá estudar na Irlanda por um ano a partir de agosto. Mas não pretendemos ficar parados, inicaremos a gravação de um album full lenght ainda esse ano. A intenção é gravar bateria e baixo antes da viagem, e então finalizar a gravação do vocal e das guitarras até o final do ano. Não prometemos que seja lançado ainda em 2014, mas é uma posbilidade.
Quanto a shows, aguardamos contato, mas ainda não temos nada em vista, até porque nosso baterista esteve recentemente internado por conta de um apendicite. Para o segundo semestre, convidaremos alguns amigos para assumir o baixo ao vivo, seriam algumas participações bem especiais para nós.

Felipe: Temos cerca de 7 músicas finalizadas. Pretendemos gravar 8 faixas. Quero deixar ao menos bateria e baixo gravados. A missão de finalizar ficará a cargo de Flav, Mariano e Weiberlan.
Eu, como fiz no EP “Burning Chains” tomarei conta da arte da capa e encarte bem como todo material de divulgação da banda de lá mesmo (sou formado em Design, isso facilita muito nosso trabalho em vários aspectos).

Deixo aqui um espaço para as considerações da banda!

Felipe: Foi uma honra conceder essa entrevista. Obrigado a todos aqueles que nos apoiam e que fazem o metal nacional acontecer, seja escrevendo zines ou webzines, organizando shows, tendo banda, ou simplesmente indo a festivais e comprando material de bandas locais. Vamos continuar seguindo em frente compondo, gravando e fazendo shows sempre buscando evoluir cada vez mais, sem nunca deixar de lado nossas raízes e nossa paixão pelo Heavy Metal!

Keep Wild!


Agradeço o interesse da banda ao entrar em contato e o empenho para agilizar a matéria

Links da banda




Stay Heavy!


por Artur de Azeredo