domingo, 17 de novembro de 2013

Entrevista Flavio Leviaethan



Ah os anos oitenta, década fecunda para o Heavy Metal não só no Brasil, em todo o mundo eram anos gloriosos para o Metal, no Rio Grande do Sul não foi diferente, bandas como Astaroth, Panic e a Leviaethan movimentavam a cena gaucha. Por falar em Leviaethan, dessas é a unica que se mantem em atividade, carregando todo o legado do Thrash Metal Gaucho e mostrando as novas gerações a sua força.
Com esse intuito de mostrar ao novos bangers as bandas que surgem e que fizeram historia na cena gaucha trago pra vocês essa entrevista com uma das lendas do Metal Gaucho Flavio Leviaethan. Confiram!

Flavio Leviaethan (foto retirada do facebook)


Bom pra começar, que tal apresentar a Leviaethan, pra quem ainda não conhece, fale um pouco de como se deu a formação dessa lenda do Thrash Metal Gaúcho.

Buenas...em 1983, fui apresentado, por um amigo em comum, para o guitarrista Carmelo Zarbá e o baterista/vocalista Rossano Nadal. Depois de conversarmos e vermos que tínhamos muitos pontos em comum, formamos a banda.
Ensaiamos durante uns meses, compondo (na época, em português) e surgiu a oportunidade de gravarmos uma faixa pra coletânea gaúcha ROCK GARAGEM.  Estreamos em palcos no show de lançamento desse projeto, em um local tradicional daqui de Porto Alegre, para cerca de 4.000 pessoas. Isso nos abriu muitas portas e fizemos muitos shows pelos quatro anos seguintes.
Depois de uma mudança na formação, quando entrou o baterista Danilo Pizzato e eu também assumi os vocais, gravamos a nossa única demo-tape, THRASH YOUR BRAIN, que rodou o mundo por correspondência e caiu nas graças do dono da Revista ROCK BRIGADE que também era gravadora. Por ela, lançamos nossos dois primeiros álbuns, já com Carlos “Lots” Henrique e Alexandre Colletti nas guitarras, substituindo Carmelo que tinha deixado a banda.
De 1992 a 94 tocamos muito, mas perdemos um dos guitarristas em acidente de transito. Mesmo com um de seus mais promissores alunos o substituindo,  demos uma parada em 97. Em 2001, voltamos e em 2004 a formação se estabilizou novamente.  De lá pra cá, tocamos bastante, relançamos algum material e compomos para um novo álbum...

Revista Roadie Crew, Smile como um dos 60
 albuns mais importantes do Metal Brasileiro


Em 1989 a Leviaethan lançou seu primeiro álbum Smile, na época, como se deu o processo de produção e gravação.

O Smile foi gravado já com a formação de quarteto,  mas a maioria das músicas já estava composta, e tinham sido feitas por mim.  Os dois guitarristas que substituíram o guitarrista original contribuíram em alguns arranjos e algumas músicas.
Nós mesmos o produzimos, juntamente com Bruno Kluin, do estúdio Eger. Na época, fizemos o melhor que pudemos, pois as condições eram muito precárias.  Mas recentemente ele foi considerado pela revista Roadie Crew como um dos 60 melhores álbuns do Metal nacional, o que me honra muito.

Se comparar as dificuldades do final dos anos oitenta com as de hoje, pode se dizer que  ficou mais fácil gravar, produzir e divulgar um trabalho.

Sim, com certeza... Hoje a tecnologia e a informação, se bem trabalhadas, são importantíssimas na carreira de uma banda. Por outro lado, a competitividade está muito maior, e fatores como dificuldades financeiras, violência e a própria comodidade da vida moderna faz com que as pessoas cada vez menos saiam de casa. Com isso, os desafios atuais são fatores como tocar ao vivo e vender o seu material.
E um dos pontos mais positivos dos anos 80 era o gosto de vitória quando, apesar das dificuldades, conseguíamos alcançar nossos objetivos traçados.  Foi realmente uma época de ouro.

Fazendo um comparativo com a cena no underground gaúcho, na época do lançamento de Smile com a atual, são muito diferentes.

É, tem uma certa diferença...  Como já disse,  os anos 80 eram mais “românticos”,  tinha que ter o Metal no sangue. Hoje a coisa está mais profissional, qualquer um monta uma boa banda, com bom equipamento e bons instrumentos e quer o seu lugar ao sol.

Como a Leviaethan se manteve depois do lançamento do Disturbed Mind 1992 e do hiato que se seguiu. E como aconteceu o retorno em 2002.

Depois do lançamento do nosso 2º álbum, Disturbed Mind, saímos para tocar e realmente tocamos bastante pelos estados da região sul e por SP. Mas em 1994 perdemos o Alexandre (Colletti, guitarrista, morto num acidente de trânsito). Levamos um tempo para assimilar o golpe e definir o seu substituto (seu aluno João Marcelo). Depois disso, ainda tocamos bastante e fizemos algumas coisas importantes, como trazer pela 1ª vez à Porto Alegre a banda Angra. Mas as coisas estavam bem ruins na época, não havia lugar para tocar, o Grunge imperava, eu tinha uma loja, e a gota d’água foi a mudança do Danilo (baterista) para o RN. Não achamos um substituto  e resolvemos dar um tempo.
Em 2001, O Lots (guitarrista) me apresentou o Ricardo (“Ratão” Fonseca, baterista) e voltamos à tocar,oficializando a nossa volta aos palcos em 2002. Depois de algumas mudanças, estabilizamos a formação, e partimos para uma nova etapa.

Quanto aos fãns dos anos oitenta são os mesmos de hoje ou essa legião se renovou. Como tem sido a aceitação desse publico mais novo.

Tem muitos fãs, daqueles poucos que nos acompanham até hoje. Mas também tem uma galera mais nova que sabe da nossa história e passou a nos acompanhar. Não só aqui no nosso estado, mas por todo o Brasil, e também no exterior.

O que podemos esperar da Leviaethan, quais os planos para a banda. Uma tour pelos pampas seria viável.

Atualmente, temos vários projetos...
Lançamos a nossa cerveja, em outubro do ano passado.
Já relançamos o SMILE em 2012. Estamos pra relançar o DISTURBED MIND, que ganhará versão nacional e versões importadas, pois será lançado na Inglaterra no começo de 2014.
Estamos comemorando os 30 anos de banda, que vai acontecer em dezembro e terá alguns acontecimentos importantes.
Estamos finalizando as gravações do novo álbum, e a partir do seu lançamento, cairemos na estrada.  É isso o que mais gostamos de fazer.

De acordo com a sua vivencia no underground, você acha que é possível viver de Heavy Metal no Brasil ?

Não. Salvo algumas exceções, é muito difícil. Mas não só aqui, acho que em qualquer parte do mundo.  As bandas que conseguem são exceções.

Deixo aqui um espaço para suas considerações finais.


Bom, agradeço o espaço e o apoio. E quem quiser adquirir o SMILE ou algum material do Leviaethan, entre em contato (flavioleviaethan@yahoo.com.br).  Vá aos shows, compre material das bandas nacionais... Apoie o Underground. AND LET WE THRASH YOUR FUCKING BRAINS !!!!



Links da Banda



Bom é isso ai! Agradeço ao Flavio pela disponibilidade e atenção!
E quem quiser conferir mais sobre o Smile debut da banda Confere Aqui!



Stay Heavy!

por Artur de Azeredo