sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Swords At Hymns



Seguindo o novo rumo do Blog, é com muito prazer e satisfação que trago até vocês mais um fruto oriundo dos pampas, a Swords At Hymns, conheci a banda por meio de algumas redes sociais, acabei curtindo muito o material disponibilizado para download, a sonoridade e a qualidade, eram fora de serie. Logo descobri que se tratava de uma One Man Band idealizada pelo guitarrista Maicon Ristown, devido essa nova proposta do blog decidi entrar em contato com o cara para ver a possibilidade de uma entrevista e o resultado, bom, leiam e iram descobrir!

Em entrevista ao site Metalrocks você já explicou, mas conte aos nossos leitores como se deu inicio o projeto da Swords At Hymns?

O Swords At Hymns nasceu da minha necessidade de fazer um som que eu mesmo gostasse de ouvir. Sem nenhuma influência de companheiros de banda ou limites impostos por rótulos ou ideologias. A ideia do SAH é fazer um som climático, que misture muitos feelings, algo épico, impetuoso, odioso e até depressivo, se o momento pedir por isso! Eu considero o inicio oficial no inverno passado (2012), quando escolhi o nome e foi lançado o single “The Only End To A Brave” justamente com esse propósito, fazer a coisa existir de fato. Mas a ideia do projeto é bem mais antiga, desde 2005, paralelamente a minhas outras bandas, vinha compondo e escrevendo o que hoje é o SAH. Tanto que a música “Forgotten In A Gray Dimness” foi composta em 2005 e gravada só agora em 2013, e o single gravado em 2012 foi composto em 2010. Antes me faltava oportunidade e tempo para dedicar ao projeto, e acho que também me faltava certa maturidade musical, talvez o passo mais importante para o SAH tenha sido esperar e fazer a coisa bem feita. Então quando consegui estabilizar minha vida pessoal achei que era hora de focar no som. Final do ano passado gravamos o single, que teve uma ótima receptividade, recebemos muito apoio do público e despertou o interesse de selos em lançar o projeto, o que com certeza incentivou muito a logo começar a gravar o EP.



A Swords At Hymns se trata de uma One Man Band nos conte como se da todo o processo de composição e gravação? Existe mais alguém envolvido com o projeto?

Compor é o principal motivo da existência do projeto, fazer música. E para mim o maior prazer do mundo da música é sentar com a guitarra no colo, lápis e papel para começar uma nova música, traduzir uma ideia da cabeça para o instrumento, transformar um sentimento em som. Pulando essa parte filosofal hehe as músicas do SAH quase sempre são modais e tem uma base bem simples, normalmente eu crio um tema principal, e a partir dessa ideia crio o resto da música, arranjos, harmonia, estrutura... paralelamente a isso tudo escrevo as letras. Como estou sempre compondo e escrevendo algo, são várias músicas e letras em andamento ao mesmo tempo, durante esse decorrer há uma escolha natural de qual letra fica melhor em qual som, e as coisas vão se encaixando naturalmente. Então com a música pronta entramos em estúdio. Todas as gravações da SAH até agora foram feitas no estúdio Dead Marshell, em Caxias do Sul, com a produção do amigo Dave Deville. Tecnicamente o SAH não é mais uma one man band, em estúdio conto com a ajuda de Leonardo Goulart, que grava os baixos e divide comigo os vocais. E para o próximo trabalho também irá contribuir com algumas letras.


A Arte é belíssima, existe algum conceito por traz dela ou é apenas o reflexo da sonoridade interpretado por Marcelo Vasco (já fez algumas capas para Borknagar, Soulfly, Distraught)?

A principio a capa seria só um reflexo da sonoridade. Quando pedi pro Marcelo fazer a capa dei o contexto geral do EP e uma breve descrição das letras, e ele criou essa incrível capa com base nessas informações, mas sem ouvir os sons do EP, que na época ainda estavam durante suas gravações. Mas não foi difícil dar um conceito a ela, ligar alguns elementos usados na capa com os temas das letras. Enfim, ela representou perfeitamente o som e a ideia do EP, além de ser uma obra de arte! O cara é foda!



Qual o objetivo por traz da Swords At Hymns, apenas compor e saciar a sede do musico ou vai, além disso?

Eu gosto de pensar no SAH como um hobby levado a sério. Compor e saciar a sede do musico, e fã, é sem dúvidas a melhor resposta. Não é, e nem gostaria que fosse uma fonte de lucros ou exibicionismo, é feito por puro prazer. Mas é uma coisa que pra dar certo precisa de muito empenho. Muitas vezes tive que deixar de trabalhar pra ir ao estúdio gravar, fora o custo das gravações e tudo mais, e as incontáveis horas compondo em casa. O que me obriga a reconhecer seu merecido valor. Como falei, é uma brincadeira levada a sério.



Enquanto a sonoridade se trata de um Black Metal bem épico, vocês conseguiram formular algo próprio, o que torna a sonoridade bem original, quais as principais influencias e quando formou a Swords At Hymns já tinha em mente essa sonoridade ou isso é fruto do trabalho duro?

Não é trabalho duro naquele sentido penoso, pelo contrário, as composições até saem muito facilmente. Tenho muitas influências, de estilos variados, e ai entra o desafio de fazer todas as influências soarem como uma só música, uma coisa mais homogênea, sem parecer aquela “salada de frutas” que muitas bandas fazem, deixando os estilos muito delineados, e a cada 30 segundos a música muda de estilo bruscamente. Um dos propósitos do SAH é mesmo não se limitar a um rótulo, mas também nunca ouve a preocupação de soar original. Chega a ser engraçado, porque nem eu mesmo consigo definir o som quando me perguntam. Acho que as linhas principais ficam entre Pagan Black Metal e Melodic Death Metal, com bastante influência de Doom Metal, e sempre mantendo aquela atmosfera épica. Mas não foi algo planejado e muito menos escolhido, quando dei os primeiros passos do projeto essa mistura de estilos foi algo natural, um reflexo dos meus gostos musicais.

Em se tratando de uma One Man Band existe alguma possibilidade de uma tour pelos pampas para divulgação desse trabalho?

Possibilidade há... mas o ao vivo não é uma prioridade e ainda nem está nos planos, e caso aconteça não será algo para curto prazo, como a divulgação do EP. Explicando o porquê, o SAH não é planejado para palco. Quando componho prefiro não pensar em alguns limites que o ao vivo iria impor ao som do SAH, como por exemplo, deixar de colocar vários instrumentos simultâneos, como violões e teclados, ou grandes trechos orquestrados, o que ficaria bem difícil de reproduzir num show e ainda mais com a realidade da estrutura de palco do nosso underground. O ao vivo precisaria de uma dedicação ainda maior, muito ensaio e até de uma equipe, coisas que por enquanto não são viáveis, nem pro SAH, nem, provavelmente, para quem produziria o show. Então por enquanto vamos deixar a coisa rolar, quem sabe após o lançamento do full. Já rolaram alguns convites do caralho, que me deixaram muito lisonjeado, mas infelizmente pelos motivos descritos acima tive que recusar.

Pelo que percebi você está a bastante tempo na cena underground gaucha, qual a sua opinião sobre a cena underground gaucha? Quais as maiores dificuldades?

Faço parte dela mais como público do que banda, sempre que posso vou a shows e festivais, compro material, vou trocar ideias com amigos e bandas... enfim, faço minha parte porque gosto, é o meu mundo, é minha balada hehe. E é inegável a boa qualidade dos músicos e bandas gaúchas de metal. Há bandas saindo daqui pra se tornarem gigantes, ou mesmo as que ficam aqui e tem grande distribuição de material pelo Brasil e fora com gravadoras gringas, e também outras bandas boas que muitas vezes não tem tanto empenho em divulgar, fazem música igual ou melhor as bandas mais visíveis, mas preferem ficar só no “forfun”. Enfim, a parte musical, que é a que principalmente me interessa, não tenho do que reclamar, há metal de qualidade pra todos os gostos. E também há uma grande união entre bandas, inclusive de estilos diferentes, o que sem dúvidas é o ponto forte. Mas de uma forma geral a coisa é muito fraca. Com exceção de alguns festivais que conseguiram firmar seus nomes e ajudam a manter a coisa de pé, são poucos e pouco valorizados. Alguns selos que por puro amor ao metal ajudam na distribuição de material. Infelizmente o público fiel (composto boa parte por outros músicos), que compra material e faz questão de ir apoiar a banda no show, que é o que sustenta a cena, não é relativo à quantidade e qualidade de boas bandas que temos aqui. Uma pena. Mas quem sabe com essa onda de novas bandas e shows gringos a toda hora a coisa comece a mudar, mais gente volte a apoiar os festivais e bandas menores.



Viver de Heavy Metal já é difícil ainda mais em um pais como o Brasil, você como musico headbanger consegue viver só do Heavy Metal? O que seria um sonho ainda mais em se tratando de underground Brasileiro!

Não! Metal não me dá nenhum retorno financeiro, muitíssimo pelo contrário hehe No underground é muito difícil alguém conseguir viver só de metal, incluindo bandas, imprensa, produção, gravadoras... é difícil pra todo mundo. Mas admiro muito quem consegue sobreviver sem ter que prostituir sua arte. São reais guerreiros. Claro que na maioria das vezes as bandas são obrigadas a mudar de cidade, ou até de país, pra receber o devido valor. E isso é do caralho, é uma conquista, é algo inspirador para as bandas novas. Mas sinceramente, nunca nem me imaginei vivendo da música, e acho que nem gostaria da obrigação de transformar o meu prazer em negocio, depender dele pra viver. Prefiro viver para ele. Mas por favor, não deixem de comprar o material original do SAH e apoiar o projeto para mais hehe



Pra finalizar, Como Tem sido a receptividade do EP “My freedom... forgotten in a gray dimness”? E quais os planos futuros da Swords At Hymns como One Man Band?

A receptividade tem sido ótima! Muito melhor do que eu esperava! Galera de todo canto do mundo mandando mensagem de apoio e elogiando, procurando saber mais sobre o projeto, procurando material original, mostrando interesse. Isso pra mim é muito foda, porque o SAH é algo muito pessoal, não componho com aquela necessidade de agradar tal público de tal estilo, não tem pressão ou segundas intenções, é algo feito quase que para o ego! Então é do caralho quando vejo que mais gente se identifica com a ideia do som que traduz o que eu sinto! E isso é o que me incentiva a compartilhar.
Os planos futuros já estão sendo encaminhados. O EP que está saindo agora talvez ainda este ano será relançado pela Cianeto Discos e mais alguns apoiadores, numa prensagem maior e com uma distribuição bem mais ampla. E estamos acertando para no próximo ano, também pelo Cianeto Discos, o lançamento do full length, que a principio terá 9 musicas inéditas. O contexto geral do cd está definido e as músicas e letras estão praticamente prontas. Deve começar a ser gravado no começo do ano para ser lançado durante o inverno. E posso garantir que será ainda melhor!



Considerações finais!


Gostaria de agradecer o Artur Azeredo pela oportunidade de contar um pouco da história do Swords At Hymns aqui no Heavy Metal All Night. Muito obrigado pela força! E agradecer também a todos que tem dado força e incentivo ao projeto. Valeu, e muita coisa ainda está por vir!

Deixo aqui, meu muito obrigado ao Maicon que foi atencioso e teve paciência pra responder as perguntas, além de disponibilizar todo o material da banda. Desejo todo sucesso a Swords At Hymns e que esse projeto se mantenha por muito tempo ainda! Ficamos no Aguardo do Full enquanto isso vai um link pro download do EP que ta fudido demais!









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Stay Heavy!

por Artur Azeredo